Alvo de duas operações da Polícia Federal em 11 dias, o ex-governador do Rio de Janeiro Cláudio Castro, do PL, anunciou nesta quinta-feira (28) que desistiu da candidatura ao Senado. O senador Flávio Bolsonaro consultará seu pai, Jair Bolsonaro, para decidir se o substituto de Castro será o líder do PL na Câmara, Sóstenes Cavalcante, ou o deputado Carlos Jordy.

Castro anunciou a desistência em um vídeo veiculado nas redes sociais, no qual não explica nada sobre as acusações. Afirma ser vítima de narrativas e falsas acusações e que sua família está sofrendo. Diz que resolveu desistir da disputa para se concentrar em sua defesa nas duas investigações a que responde.

A candidatura de Castro estava sob risco não apenas pelas suspeitas de corrupção, mas porque o Tribunal Superior Eleitoral cassou seu mandato e o tornou inelegível até 2030, por abuso de poder político e econômico no eleição de 2022. Castro renunciou ao governo do Rio um dia antes para tentar escapar da punição. Foi depois disso que as investigações entraram em cena.

Na terça-feira (26), Castro foi alvo de uma operação da Polícia Federal devido aos aportes de 3,69 bilhões de reais da Rioprevidência, o fundo de pensão dos servidores públicos do governo do Rio, no Banco Master, de Daniel Vorcaro, entre 2023 e 2024. Na ocasião, o mercado já sabia que o Master tinha problemas. A PF afirma que Castro foi determinante para a Rioprevidência investir no Master. A investigação da PF aponta “sincronismo” entre os aportes do fundo no banco e encontros privados entre Castro e Vorcaro, pagos pelo banqueiro, inclusive no exterior.

Era a segunda operação de busca e apreensão. No dia 15, Castro havia sido um dos principais alvos da operação Sem Refino, contra um esquema de fraudes no setor de combustíveis e sonegação fiscal da Refit. De acordo com as investigações, Castro é suspeito de ter feito mudanças estratégicas no governo para evitar a cobrança de impostos e privilegiar a companhia de Ricardo Magro. Entre as manobras investigadas pela Polícia Federal está a troca de gestores na Secretaria Estadual da Fazenda e na Procuradoria-Geral do Estado, com o objetivo de evitar cobranças e garantir benefícios à Refit.

Cláudio Castro chegou ao governo do Rio como vice de Wilson Witzel, eleito em 2018. Assumiu o governo após o impeachment de Witzel em 2021 e se reelegeu em 2022.

Assista à íntegra do vídeo de Cláudio Castro: