Por estar em segundo lugar, cabe a Jair Bolsonaro tirar votos do líder Lula. Ele tem 18 dias para isso. Por isso, Bolsonaro tem de arriscar mais. Nesta quarta, feriado nacional de Nossa Senhora Aparecida, o presidente foi fazer campanha em Aparecida do Norte (SP), um reduto católico.
No dia do ano em que a cidade ferve com a chegada de romeiros que vão pagar promessas e as missas se sucedem, parecia uma boa ideia. Mas Bolsonaro não teve o resultado esperado.
O bispo de Aparecida, Dom Orlando Brandes, fez um sermão cheio alusões contra o governo e Bolsonaro. Em entrevista coletiva, deu uma cutucada: “Ou somos evangélicos ou somos católicos”. Apesar de católico, há anos Bolsonaro atua como se fosse evangélico, em virtude do peso eleitoral e de alianças políticas.
Para piorar um pouco, apoiadores do presidente hostilizaram uma equipe de televisão na porta da Basílica. Bolsonaro, que deveria encontrá-los num evento depois, mudou de ideia e foi embora.
No momento, Bolsonaro não pode tomar lado religioso, muito menos contradizer o bispo com sua habitual agressividade. Basta captar suas imagens em meio a uma multidão, para dizer que seu “datapovo” indica que vai vencer, que as pesquisas mentem e pode contestar o resultado caso seja derrotado. O resto é detalhe.
Enquanto isso, Lula jogou em terreno seguro. Fez um comício no Complexo do Alemão, no Rio, ao lado de aliados como o prefeito Eduardo Paes e a família da vereadora Marielle Franco, assassinada em 2018. Mesmo em um ambiente favorável, falou bobagem ao relacionar os milicianos matadores de Marielle a Bolsonaro. Deu um presente para a equipe de Bolsonaro questioná-lo no TSE.
O caminho da campanha é esse daqui para a frente. Em desvantagem, Bolsonaro tem de arriscar mais, enquanto Lula poderá correr menos riscos. O presidente será mais agressivo do que nunca. A questão é que, ao abandonar motociatas e ir para todos os lugares, nem sempre vai ter uma claque à espera.

