O ministro de Portos e Aeroportos, Silvio Costa Filho, corre sérios riscos de sair derrotado em duas frentes consideradas prioritárias para seus projetos em 2026. Uma é o conturbado processo de licitação do Tecon 10, no Porto de Santos; a outra é a aliança política para possibilitar sua candidatura ao Senado por Pernambuco.

A licitação do Tecon 10 é questionada por empresas que, pelas regras definidas pelo Tribunal de Contas da União no ano passado, não poderão participar do certame. O tema divide o governo, como vem mostrando o Bastidor nos últimos meses. O ministro Silvio Costa tem um adversário de peso no assunto, o ministro da Casa Civil, Rui Costa.

O modelo definido pelo TCU a partir do voto do ministro Bruno Dantas foi acolhido integralmente pelo ministério de Silvio. As regras estabelecem que só podem disputar o controle do terminal, projetado para ser o maior arrendamento portuário já realizado no Brasil, empresas que não operem navios nem integrem conglomerados de armadores. O modelo exclui os grandes operadores globais de contêineres e abre espaço para companhias de logística e infraestrutura “puras”, sem atuação em transporte marítimo. A JBS Terminais, dos irmãos Joesley e Wesley Batista, se enquadra no que decidiu o TCU.

Gigantes estrangeiras que têm interesse no terminal procuraram o governo e questionaram as regras. Um dos casos foi a estatal chinesa Cosco, que conseguiu convencer Rui Costa. Ao menos uma empresa europeia também buscou a Casa Civil. O leilão está previsto para abril. O edital ainda não foi divulgado. Caso as regras mudem, a licitação será adiada, pois o TCU deverá novamente analisar o tema. O presidente Lula ainda não decidiu qual será a posição do governo.

O nó em Silvinho

Na política, Silvio Costa anunciou que deixará o governo para disputar uma vaga no Senado, numa chapa formada com o senador Humberto Costa, que vai disputar a reeleição, e com o prefeito de Recife, João Campos, candidato ao governo de Pernambuco.

Membros do PT e do PSB, contudo, mantém conversas com integrantes do PP e do União Brasil no estado. Uma aliança assim inviabilizaria a candidatura de Silvio. Interessa a João Campos o tempo de TV que a federação PP e União oferece. Para isso, ele cederia a vaga ao Senado destinada a Silvio ao deputado Eduardo Henrique da Fonte, presidente do PP em Pernambuco. Miguel Coelho, do União Brasil, seria o vice na chapa de Campos.

 As tratativas estão em andamento desde o fim do ano passado. Essa foi uma das possibilidades discutidas entre Lula e o presidente nacional do PP, o senador Ciro Nogueira, quando se reuniram em dezembro, conforme noticiou a Folha de S.Paulo.