O presidente do Senado, Davi Alcolumbre, e o governo Lula resistem à ideia de instalar uma CPI que investigue a liquidação do Banco Master. No Congresso, já há três pedidos que tratam do tema. Os requerimentos já contam com número suficiente de assinaturas.
Não há prazo legal que obrigue a leitura imediata dos pedidos. Sem se manifestar publicamente sobre o tema, Alcolumbre já sinalizou a aliados que não pretende instalar nenhuma Comissão Parlamentar de Inquérito. A posição é compartilhada por parlamentares do Centrão sob o receio de ter expostas ligações com os protagonistas do caso. O presidente da Câmara, Hugo Motta, também resiste.
A ideia, por ora, é concentrar as investigações no grupo de trabalho criado por Renan Calheiros na Comissão de Assuntos Econômicos do Senado, considerado um caminho mais discreto e controlado. O grupo poderá convocar autoridades, solicitar informações e propor medidas para aprofundar a apuração. Renan já disse que terá como prioridade tratar de uma suposta pressão exercida pelos deputados Arthur Lira, seu adversário em Alagoas, e Hugo Motta sobre o Tribunal de Contas da União.
O governo Lula também quer evitar uma CPI em ano eleitoral. Considera que a instalação servirá de palco para adversários com forte potencial de causar prejuízos à campanha de reeleição do presidente.
Na Câmara, há um pedido apresentado por Rodrigo Rollemberg, do PSB, que busca atingir o governo do Distrito Federal. O governador, Ibaneis Rocha, é pré-candidato ao Senado. Sua vice, Celina Leão, vai dusputar o governo e terá como adversário Ricardo Cappelli, do PSB de Rollemberg. O requerimento concentra a apuração no papel do Banco de Brasília, o BRB, na tentativa de compra do Banco Master. O pedido para a CPI é o único que reúne assinaturas de deputados do PT.
Outra CPI, defendida pelo senador Eduardo Girão, do Novo, prega uma investigação restrita ao Senado. O escopo direciona o foco para o Supremo Tribunal Federal. Apoiador do ex-presidente Jair Bolsonaro, Girão é um dos parlamentares mais ativos em defesa de impeachment de ministros do STF.
Já a CPMI articulada por Carlos Jordy, do PL, vai além das irregularidades financeiras do Master. Quer, também, tratar do envolvimento de ministros do STF.
Para a oposição, a CPMI de Jordy é considerada mais estratégica neste momento. Segundo o regimento interno do Congresso, uma CPMI deve ser instalada automaticamente desde que cumpra os requisitos constitucionais. Ou seja, não depende de decisão política do presidente do Congresso, Davi Alcolumbre, mas apenas do cumprimento das regras regimentais.

