Aliados afirmam que o presidente do Senado, Davi Alcolumbre, não vai ler o requerimento de prorrogação da CPMI do INSS, como determinado pelo ministro André Mendonça, porque aposta na derrubada da medida pelo plenário do Supremo Tribunal Federal em julgamento nesta quinta-feira (26).
Na segunda-feira (23), Mendonça determinou que o Congresso adotasse as medidas necessárias para viabilizar a prorrogação da CPMI por até 120 dias e deu prazo de 48 horas para formalizar a continuidade dos trabalhos. O prazo dado por Mendonça na decisão termina nesta quarta-feira (25). Alcolumbre, no entanto, se apoia no fato de ter sido notificado apenas ontem, às 18h20. Dessa forma, entende que as 48 horas terminam amanhã, quinta-feira (26).
Ao Bastidor, parlamentares afirmaram que Alcolumbre acredita em uma vitória no STF por manter relação próxima com ministros da Corte. Eles também citam o ministro Dias Toffoli, ex-relator da CPMI, como um dos que poderia votar contra a decisão de Mendonça.
Enquanto isso, a base do governo articula uma alternativa para evitar uma derrota de Alcolumbre. Parlamentares estão coletando assinaturas para prorrogar a CPMI por apenas 15 dias. A movimentação é conduzida pelo líder do governo no colegiado, deputado Paulo Pimenta, que atua em favor de Alcolumbre na CPMI, e pelo líder do governo no Congresso e aliado de Alcolumbre, senador Randolfe Rodrigues.
Outra estratégia da base governista é retirar assinaturas do requerimento de prorrogação, numa tentativa de enfraquecer o pedido. O pedido de prorrogação da CPMI foi enviado à Mesa Diretora do Congresso em 19 de dezembro, mas não chegou a ser protocolado. Parlamentares argumentam que houve omissão de Alcolumbre ao não dar andamento ao requerimento, que contava com apoio formal de 175 deputados e 29 senadores.
A justificativa é que a decisão de Mendonça não determinou diretamente a extensão da comissão, mas obrigou o Congresso a cumprir o procedimento formal necessário para que ela ocorra, já que o requerimento reúne o número mínimo de assinaturas. Caso assinaturas sejam retiradas, a prorrogação formalmente perde o apoio necessário.
A CPMI tem prazo atual até 28 de março. O requerimento original prevê prorrogação por até 120 dias, mas a intenção do presidente do colegiado, senador Carlos Viana, é utilizar 60 dias.

