A delação do empresário Maurício Camisotti no inquérito sobre descontos irregulares em aposentadorias e pensões do INSS será refeita após a Polícia Federal e a Procuradoria-Geral da República encontrarem inconsistências em relatos apresentados por ele.

O acordo foi firmado pela PF e encaminhado para o ministro André Mendonça, do STF, no final do ano passado. Mendonça encaminhou o documento para o procurador-geral da República, Paulo Gonet, que avaliou ser necessário esclarecer alguns pontos da versão apresentada pelo empresário. A devolução dos documentos foi autorizada pelo ministro.

Agora, as tratativas da delação serão conduzidas também por procuradores, que não participaram da primeira rodada de depoimentos da delação. Camisotti concordou em devolver 400 milhões de reais como ressarcimento pelos descontos ilegais e, em contrapartida, seria beneficiado por uma pena menor.

Camisotti está preso desde setembro, quando foi alvo da operação Sem Desconto. Ele é o primeiro dos suspeitos de operar o esquema do INSS a decidir contar o que sabe em troca de benefícios.

Camisotti é apontado como sócio oculto da Ambec, a Associação dos Aposentados Mutualistas para Benefícios Coletivos, que faturou 178 milhões de reais entre 2019 e 2023 com o roubo de dinheiro de aposentados e pensionistas. É suspeito de ter movimentado cerca 790 milhões de reais nos últimos anos como dono de companhias que diziam prestar serviços a entidades associativas de aposentados e pensionistas.

O Bastidor entrou em contato com a defesa de Camissotti, que não se manifestou.