Rodrigo Pacheco já começou sua campanha a presidente queimando-se com parte dos ministros do Supremo.
Ao lado de Arthur Lira, o presidente do Senado disse ao tribunal ser impossível identificar quais parlamentares patrocinaram cada uma das emendas RP9, que compõem o orçamento secreto.
É uma cascata. O presidente da Câmara, o Palácio do Planalto e o Senado têm essas informações. Estão bagunçadas, em planilhas informais. Mas existem.
A resposta de Lira e Pacheco ao Supremo descumpre a decisão de Rosa Weber. A ministra determinou a identificação dos parlamentares que indicaram as emendas. Essa é a informação crucial – o segredo relevante está aí. As demais informações sobre as emendas são importantes, mas secundárias.
De Lira o Supremo já esperava isso. De Pacheco? Nem todos os ministros esperavam.
O presidente do Senado parece acreditar que seja possível chegar a uma acomodação com o Supremo, por meio da proposta de informar tudo sobre as emendas secretas – menos as informações secretas que interessam.
Ministros da ala política, como Toffoli, Gilmar Mendes, Kassio e Lewandowski, podem aquiescer. Mas ministros como Rosa Weber, Luís Roberto Barroso e Edson Fachin dificilmente aceitarão a sugestão de Pacheco. Cármen Lúcia, que tem apreço pelo presidente do Senado, até pode topar. Luiz Fux assegura a interlocutores que não rola.
Dias depois de se lançar como pré-candidato a presidente falando em moderação e respeito ao estado democrático de direito, Pacheco se pôs na situação de defender uma solução antirrepublicana para o escândalo do orçamento secreto – e justo perante a Suprema Corte.
“Esse é o novo Juscelino?”, disse com suave chiste um ministro do Supremo que, ressalte-se, não tem problema com as emendas secretas.

