O procurador de Justiça de Goiás Benedito Torres quer ocupar a vaga deixada por Laurita Vaz no Superior Tribunal de Justiça. Apesar de não ser considerado um dos favoritos na disputa, ele tem muito apoio no Tribunal Regional Federal da 1ª Região e no Tribunal de Justiça de Goiás.
Benedito é irmão do ex-senador Demóstenes Torres, também egresso do Ministério Público. É dele que vem boa parte da força política em favor de Benedito.
Demóstenes tem ótimo trânsito entre autoridades da Política e do Judiciário, mesmo fora de Goiás. E é no TRF-1 que tramitam ações apresentadas no estado envolvendo a União.
Mas a influência tem limites. Demóstenes foi cassado em 2012 por quebra de decoro parlamentar, após ter sido acusado de atuar em favor do empresário Carlinhos Cachoeira em troca de vantagens indevidas. Este fato torna custosa a inclusão de Benedito na lista tríplice.
Também pesa contra o fato de Demóstenes ter aceitado defender Anderson Torres, ex-ministro da Justiça de Jair Bolsonaro e secretário de Segurança do Distrito Federal durante a tentativa de golpe em 8 de janeiro. O ex-senador afirmou que só aceitou atuar pelo acusado de golpismo porque o trabalho seria gratuito.
Benedito está na carreira desde 1990 e foi procurador-geral de Justiça de Goiás em duas ocasiões (2011-2013 e 2017-2019). No fim do ano passado, foi eleito presidente da Associação Goiana do Ministério Público pela sexta vez. Ficará no cargo até o fim de 2026.

