Em conversas reservadas na última semana, o presidente Lula disse que Rogério Favreto é seu candidato a ministro do Superior Tribunal de Justiça na vaga destinada à magistratura federal. O desembargador do Tribunal Regional Federal da 4ª Região é bastante próximo do PT. Chegou a trabalhar no Ministério da Justiça na gestão de Tarso Genro.

Favreto concedeu um habeas corpus a Lula em 2018, quando era desembargador plantonista no TRF4.

Por ser candidato de Lula, entenda-se: o presidente não trabalhará por Favreto – viabilizar a candidatura cabe ao desembargador e a seus aliados. Ser candidato de Lula significa que, como o presidente indicou na semana passada a seus aliados, dificilmente deixará de nomear Favreto caso o nome dele chegue à sua mesa.

Como ocorre nas campanhas para tribunais superiores, a vantagem no final (preferência do presidente da República) normalmente provoca maior resistência na fase antecedente (votação da lista, no caso, no STJ). Padrinhos de concorrentes unem-se para abater ou dificultar esse tipo de candidatura.

Ministros mais experientes do STJ tratam a preferência de Lula por Favreto com cautela. Conhecem bem as particularidades desse tipo de campanha. Um advogado próximo ao presidente, porém, passou a a semana, em jantares de Brasília, espalhando, com orgulho, que Favreto seria escolhido. Para interlocutores, parecia ser sincero – ou seja, falava com orgulho, e não para queimar o candidato. Em termos práticos, esse tipo de comentário costuma ser contraproducente a quem, em tese, se beneficiaria dele.

Por meio de sua assessoria, Favreto afirmou ao Bastidor que “não comenta especulações acerca do processo de escolha dos novos ministros que vão integrar” o STJ. Afirmou que “a decisão é dos ministros da Corte, que escolherão os nomes com total independência em votação secreta”, pois “cada poder tem a sua atribuição legal e autonomia para decidir de forma tranquila e transparente”.

Leia o que o Bastidor já publicou sobre a disputa pelas vagas abertas no STJ: