A varejista de eletrônicos Fast Shop foi multada em 1,04 bilhão de reais nesta segunda-feira (11) pela Secretaria da Fazenda do Estado de São Paulo por fraudes no recolhimento de ICMS. A ação é um desdobramento da operação Ícaro, deflagrada no ano passado, que atingiu diversas empresas do setor de varejo.
Segundo o governo paulista, a multa foi definida com base na Lei Anticorrupção, de 2013. O valor é referente às vantagens indevidas obtidas pela Fast Shop por meio de créditos tributários. Segundo as investigações, a fraude envolveu o esquema tocado pelo ex-auditor fiscal Artur Gomes da Silva Neto, que está preso.
Ele oferecia serviços relacionados à recuperação de créditos de ICMS. Para conseguir os valores bilionários, ele usava informações privilegiadas dentro da Receita. O governo afirma que cinco servidores foram afastados das funções e um foi exonerado. Há outros 61 processos administrativos que apuram a extensão da fraude.
Um dos sócios da Fast Shop, Mário Otávio Gomes, chegou a ser preso temporariamente, mas hoje responde em liberdade. De acordo com o Ministério Público de São Paulo, pelo menos quinze empresas se beneficiaram da fraude promovida por Neto. Entre elas estão grandes varejistas como a Ultrafarma, Carrefour, Casas Bahia, Ipiranga, Cimed, Kalunga, entre outras.
Em março, a Polícia Civil deflagrou a operação Fisco Paralelo, para apurar a participação dessas outras empresas. Os investigadores ainda não têm dimensão exata sobre o tamanho da fraude e do prejuízo aos cofres paulistas.
Em nota, a Fast Shop informou que pretende recorrer da multa. “A companhia ressalta que nenhuma penalidade deve desconsiderar medidas e sanções já adotadas em outras instâncias de apuração de forma que não exista penalização em duplicidade”, disse a empresa.
Atualização às 18h23 de 11 de maio de 2026: esta reportagem foi atualizada para inserir o posicionamento da Fast Shop.

