Ao tentar recuar da bobagem que fez quando prometeu reajuste apenas a policiais federais e penais, Jair Bolsonaro pode ter piorado sua situação. Se confirmado, o recuo pode fazer com que agentes e delegados se unam às rebeliões iniciadas pelo resto dos servidores depois que o presidente decidiu privilegiar determinadas carreiras do funcionalismo público.
O Bastidor conversou com policiais próximos ou que participam das negociações e todos relataram que o momento é de espera. Afirmam que não há nada confirmado, apenas a fala do presidente sobre o assunto. Uma dessas fontes, inclusive, considerou dúbia a fala presidencial.
Em entrevista à Jovem Pan, ontem (19), Bolsonaro disse saber que “pode fazer justiça com três categorias e não fazer justiça com as demais”. Ainda questionou se “vamos salvar as três categorias, ou vamos sofrer todos no decorrer do ano”, complementando que “só o tempo vai dizer como será decidido”.
“Como o presidente vai e volta 300 vezes sobre a mesma decisão, estamos aguardando para ver o resultado. Mas sem desespero”, disse um policial. Ressaltou também que, antes da fala do presidente, os sinais enviados pelo governo eram de que o reajuste seria concedido, apesar da resistência de Paulo Guedes.
Os representantes dessas entidades também têm conversado com parlamentares sobre a fala de Bolsonaro. Segundo um policial federal, nenhum deles garantiu o aumento salarial ou confirmou que o reajuste não será concedido.
Apesar da aparente calmaria entre os policiais, o sinal de alerta foi ligado depois que o ministro da Justiça parou de falar sobre o assunto. Anderson Torres, que é delegado federal, tem evitado falar com lideranças de entidades classistas da PF em relação ao tema desde que Bolsonaro colocou o reajuste em xeque.

