A Polícia Federal enviou ao Supremo Tribunal Federal (STF) a investigação sobre desvio de máquinas agrícolas compradas pelo Departamento Nacional de Obras Contra as Secas (Dnocs), na Bahia, com dinheiro de emendas parlamentares após identificar indícios da participação de ao menos dois deputados federais no esquema. Os nomes permanecem em sigilo.
Em março do ano passado, a PF deflagrou a operação Metafanismo, autorizada pela Justiça Federal em Salvador. Na ocasião, os policiais cumpriram um novo mandado de busca e apreensão contra Lucas Maciel Lobão Vieira, ex-chefe do Dnocs na Bahia, que já havia sido alvo da operação Overclean, que investiga o desvio de dinheiro público direcionado ao estado por meio de emendas parlamentares.
Segundo as investigações, o esquema operava com a participação de servidores do Dnocs, além de fazendeiros e empresários ligados a políticos baianos. Por meio de assinaturas falsificadas, tratores e retroescavadeiras do Dnocs eram liberados formalmente para associações de agricultores que não tinham conhecimento da fraude.
Na prática, porém, os equipamentos nunca eram entregues. Os equipamentos tinham três destinos principais que beneficiavam os políticos: eram enviados para fazendas ligadas aos deputados que enviaram as emendas, alugados a terceiros ou desmontados para venda de peças no mercado.
Em geral, os equipamentos eram adquiridos com recursos de emendas de bancada, destinadas coletivamente por deputados e senadores para suas bases eleitorais, repassadas ao Dnocs. Essas emendas ficaram conhecidas durante o governo Bolsonaro como orçamento secreto, por não terem praticamente nenhuma transparência. Parlamentares indicavam os municípios que deveriam receber as máquinas, mas não eram identificados individualmente nos registros do governo.
De acordo com fontes ligadas à investigação ouvidas pelo Bastidor, o esquema não se restringe à Bahia. A investigação também identificou indícios de que a prática se estendeu à compra de equipamentos da Companhia de Desenvolvimento dos Vales do São Francisco e do Parnaíba (Codevasf).
Em nota, a Codevasf afirmou que monitora o uso dos equipamentos doados pela companhia e que mantém colaboração irrestrita com órgãos de fiscalização e controle. Clique aqui para ler a íntegra.
Procurado pelo Bastidor, o Dnocs não respondeu aos questionamentos. A reportagem também tenta contato com a defesa de Lucas Lobão, ex-chefe do órgão.

