O fato de só uma empresa, a Equatorial, ter se interessado pela privatização da Sabesp, como anunciado nesta sexta-feira, é um fracasso para a gestão do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas. O mercado esperava uma disputa acirrada pela maior empresa de água e saneamento do país.

A principal concorrente da Equatorial, a Aegea, desistiu do negócio devido a uma cláusula que impede a possibilidade de ofertas hostis pelo controle após a venda. O modelo criado pelo governo de Tarcísio evita tanto a pulverização completa das ações, quanto um controle único.

Um acionista pode ter até 15% das ações e um terço do conselho. Hoje, o governo de São Paulo tem 50,3% das ações e vai vender até 32% do capital da Sabesp: 15% para este sócio maior e 17% no mercado.

O governo de São Paulo se esforça para disseminar a versão de que contava com a possibilidade de apenas um interessado e que isso é melhor do que não vender a empresa. Mas o mercado sabe que o resultado foi decepcionante. Desde 2020, quando foi aprovado o novo marco do saneamento e foram criadas melhores condições para a privatização, a venda da Sabesp é tema frequente de conversas de investidores com o governo.

O governo anterior, de João Doria, vacilou no processo porque temia perder a verba que a estatal investe na despoluição do rio Pinheiros. A gestão Tarcísio conseguiu aprovações que pareciam difíceis na Assembleia Legislativa e na Câmara municipal de São Paulo, mas perdeu na modelagem do negócio e no momento ruim no mercado financeiro.

Em vez de ter um troféu para se colocar como um praticante do liberalismo econômico em oposição ao estatismo de Lula, Tarcísio terá é mesmo é de explicar como um ativo tão valioso foi tão mal aproveitado.