Desde 22 de julho, o candidato à Presidência pelo PL, senador Flávio Bolsonaro, é investigado em um inquérito da Polícia Federal que apura o financiamento do filme Dark Horse, cinebiografia de Jair Bolsonaro. A decisão que autorizou a abertura das investigações é do ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal, e foi tomada após pedido de delegados que investigam o caso do Banco Master.
O ato se tornou público nesta sexta-feira (11), depois que Mendonça retirou os sigilos de 15 procedimentos do caso Master na noite de quinta-feira, a pedido do presidente do Supremo, ministro Edson Fachin. O inquérito corre em sigilo e apura suspeitas de lavagem de dinheiro, evasão de divisas e corrupção. Eduardo Bolsonaro, irmão de Flávio também é investigado.
Em maio, após reportagem do Intercept Brasil, Flávio Bolsonaro admitiu que pediu dinheiro a Daniel Vorcaro para financiar o filme. A PF encontrou no celular de Daniel Vorcaro um contrato que previa investimento de 24 milhões de dólares, cerca de 134 milhões de reais na produção do filme, além de diálogos entre os dois e ordens de Vorcaro a subordinados para os pagamentos.
O ponto central do inquérito é o envio de 12,3 milhões de dólares, cerca de 65 milhões de reais, feito pela empresa Entre Investimentos, de Antônio Carlos Freixo Júnior, o Mineiro, ao fundo americano Havengate Development Fund LP, entre fevereiro e setembro de 2025. Os pagamentos foram feitos por Mineiro por ordem de Vorcaro.
A investigação preliminar aponta Flávio Bolsonaro como interlocutor direto de Vorcaro. Mensagens citadas na investigação indicam cobranças reiteradas de pagamentos, reuniões presenciais e acompanhamento das gravações. A representação da PF também cita Altieres Santana, corretor de imóveis nos Estados Unidos, e o advogado Paulo Sérgio Camin Calixto, ligado a Eduardo Bolsonaro, como responsáveis pela gestora do fundo Havengate, a Calixsan Capital Management.
O caso Dark Horse é investigado em outro inquérito, sob relatoria do ministro Flávio Dino, que examina a suspeita de desvio de dinheiro público de emendas parlamentares para a produção do filme. Um dos investigados é o deputado federal Mário Frias, do PL de São Paulo, alvo, na quinta-feira (10) de uma operação da Polícia Federal.
Procurado na manhã desta sexta-feira, Flávio Bolsonaro não respondeu até a publicação desta reportagem.