A Comissão de Valores Mobiliários (CVM) fechou mais um acordo de colaboração relacionado às fraudes contábeis da Americanas. A informação foi divulgada pela autarquia na noite de quinta-feira (10). Celebrado no fim de agosto, o acordo envolve uma pessoa cuja identidade permanece sob sigilo e que admitiu participação em irregularidades e se comprometeu a fornecer informações e documentos sobre o caso.

É o terceiro acordo desse tipo conhecido no caso. Segundo a CVM, o novo colaborador entregou um volume relevante de documentos e informações que complementam as investigações já em andamento sobre a Americanas.

O acordo também abrange informações sobre outras irregularidades praticadas na companhia, além das relacionadas à fraude bilionária de 2023, ano em que o escândalo veio a público. O colaborador se comprometeu ainda a continuar auxiliando a CVM ao longo das apurações.

Nesse tipo de acordo, semelhante a uma delação premiada na esfera administrativa, o participante admite sua participação nas irregularidades e colabora com as investigações em troca de benefícios numa eventual punição aplicada pela CVM.

O caso Americanas veio à tona em janeiro de 2023, quando a companhia revelou inicialmente cerca de 20 bilhões de reais em inconsistências contábeis. Desde então, a CVM abriu diferentes frentes de investigação sobre a atuação de ex-executivos, conselheiros e outros participantes ligados à fraude.

As investigações sobre a fraude também contam com acordos de colaboração premiada na esfera criminal. Quatro ex-executivos da Americanas já firmaram acordos com o Ministério Público Federal: Marcelo Nunes, ex-diretor financeiro; Flávia Carneiro, ex-diretora de controladoria; Fábio Abrate, ex-diretor de relações com investidores; e Márcio Cruz Meirelles, ex-diretor da companhia.

As colaborações, já homologadas pela Justiça, ajudaram a Polícia Federal e o MPF a reconstruir o funcionamento e a cadeia de comando das fraudes.