O ex-gerente da Petrobras Roberto Gonçalves recebeu de volta 26,5 milhões de reais após decisão do ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal, que anulou o processo da operação Lava Jato em que ele havia sido condenado. Os milhões, que estavam bloqueados numa conta judicial, após terem sido repatriados da Suíça em 2020, caíram na conta de Gonçalves na quinta-feira (18).

Gerente da Petrobras, Gonçalves foi o sucessor na gerência de Engenharia da Petrobras de Pedro Barusco, um dos primeiros a confessar seus crimes à Lava Jato e devolver dinheiro sujo recebido. Em 2017, Gonçalves foi condenado pelo então juiz Sérgio Moro a 17 anos e nove meses de prisão por lavagem de dinheiro, corrupção e organização criminosa. Era acusado de ter recebido propina da Odebrecht e da UTC, segundo os acordos de delação de Ricardo Pessoa, empreiteiro da UTC, e Mario Goes, operador financeiro do esquema. A sentença diz que Gonçalves recebeu 4,1 milhões de dólares na Suíça.

Desde 2023, o ministro Dias Toffoli tem anulado atos da Lava Jato, por considerar imprestáveis as provas obtidas na Odebrecht ou por julgar que o então juiz Sérgio Moro e os procuradores da Lava Jato atuavam em conluio.

Em 2024, ao contrário dos outros casos, o Supremo manteve a condenação de Gonçalves – inclusive com o voto favorável de Toffoli. Mas em setembro, o ministro anulou todos os atos no processo de Gonçalves. Alegou que a denúncia contra ele era idêntica à de outro caso que também foi anulado. É o contrário do seu voto no ano passado

Em outubro, Toffoli determinou o arquivamento de uma ação da Petrobras contrária à liberação de valores de Gonçalves retidos na 13ª Vara Federal de Curitiba. O objetivo da empresa era apresentar uma ação de improbidade contra Gonçalves e deixar os valores indisponíveis. O ministro negou.

Com a virada, Gonçalves recebeu seus milhões de reais de volta.