O chefe da quadrilha que roubou 813 milhões de reais, Ítalo Jordi dos Santos Pireneus, o Breu, e outros seis integrantes do grupo presos na Espanha estão em liberdade provisória desde 16 de janeiro. Eles foram soltos após o Ministério da Justiça descumprir o prazo previsto em tratado internacional para enviar a documentação necessária aos pedidos de extradição. O grupo protagonizou o maior ataque hacker ao sistema financeiro já registrado no país.
O acordo entre Brasil e Espanha, em vigor desde 1988, estabelece prazo de 80 dias para o governo brasileiro formalizar o pedido de extradição após a prisão de um foragido. Os mandados do Tribunal de Justiça de São Paulo contra o grupo eram de 17 de outubro, data usada como base para os processos penais. O prazo vencia, portanto, em 5 de janeiro. Os documentos do Ministério da Justiça chegaram à Espanha apenas em 19 de janeiro, 14 dias após o vencimento. É o que mostram as primeiras páginas do processo eletrônico sigiloso de extradição, obtidas pelo Bastidor.

Breu e os demais foram presos em 30 de outubro, na segunda fase da operação Magnas Fraus da Polícia Federal. O grupo havia fugido para Madrid; tinha mais de 600 milhões de reais do roubo convertidos em criptomoedas. As prisões preventivas foram decretadas em 31 de outubro pela Vara Central de Instrução nº 6 do Tribunal Nacional, seção espanhola que trata de casos com repercussão nacional ou internacional, incluindo corrupção, lavagem de dinheiro e crime organizado. Em 16 de janeiro, o mesmo tribunal determinou a soltura provisória do grupo.
“A mesma Vara determinou a soltura provisória do acusado em 16 de janeiro de 2026, visto que a documentação para a extradição não foi recebida dentro do prazo estabelecido”, diz o Ministério de Assuntos Exteriores e Cooperação da Espanha.
Além da demora do Ministério da Justiça, uma falha da Justiça de São Paulo afetou o trâmite. Como mostrou o Bastidor, os mandados contra Breu e os demais foram cancelados no Brasil e, com isso, seus nomes foram retirados da difusão vermelha da Interpol, sistema pelo qual as polícias de diversos países buscam criminosos foragidos.
Não há informações no processo de que Breu e os demais estejam proibidos de deixar a Espanha ou sob monitoramento das autoridades enquanto aguardam a extradição.
Diante do potencial risco de fuga e do alto poder financeiro ainda em posse do grupo criminoso, autoridades da Polícia Federal e do Ministério Público ligadas à investigação tentam acelerar o processo de extradição e mantêm contato com a polícia espanhola para monitorar os foragidos.
Camila Nobile, advogada de Ítalo Jordi, afirma que ele segue na Espanha à disposição da justiça brasileira.
Procurado pelo Bastidor, o Ministério da Justiça não se manifestou. Em nota anterior sobre o asunto, havia informado que não se manifesta em relação a casos concretos e individualizados, pois correm sob sigilo.

