Um erro da Justiça de São Paulo cancelou o mandado de prisão de Ítalo Jordi dos Santos Pireneus, o Breu, chefe de uma quadrilha responsável pelo roubo de 813 milhões de reais, o maior golpe ao sistema financeiro do país, e provocou o cancelamento da difusão vermelha da Interpol contra ele e outros seis integrantes do grupo. Todos estavam em prisão domiciliar na Espanha desde outubro de 2025. A PF e o Ministério Público de São Paulo não confirmaram se o grupo fugiu.
A falha ocorreu porque a 2ª Vara de Crimes Tributários, Organização Criminosa e Lavagem de Bens e Valores da Capital deu baixa nos mandados de prisão enquanto o processo de extradição tramitava no Ministério da Justiça. A permanência de um preso no exterior via Interpol depende da existência de um mandado ativo no país de origem. Com a baixa, os nomes dos suspeitos foram automaticamente retirados da lista de difusão vermelha da organização. O erro atrasou o processo de extradição, de acordo com a Polícia Federal.
A titular da 2ª Vara é a juíza a juíza Márcia Mayumi Okoda Oshiro. Não há informação disponível sobre quem deu baixa nos mandados de prisão.
Além de Breu, foram afetados pela falha: Henrique Magnavita Lins, o Russo, Emerson Alves da Silva, Mateus Medeiros Silva, Rômulo de Oliveira Carvalho, Wesley do Nascimento Lopes e Thaís Penalva Lima, esposa de Breu. O único integrante da quadrilha que teve a difusão cancelada e permanece em prisão domiciliar é Gabriel Almeida Gertrudes, detido em outubro de 2025 no Paraguai. Não há informação específica sobre o caso dele.
A falha só foi comunicada ao tribunal paulista pelo Núcleo de Cooperação Internacional da Polícia Federal em 30 de abril. Não se sabe quando a baixa foi dada — e, portanto, por quanto tempo Breu e os outros seis ficaram fora da difusão vermelha da Interpol. No ofício, a PF pediu a emissão de novos mandados e afirmou que a baixa “implica no cancelamento da difusão vermelha”. O Ministério Público concordou com o pedido.
Em decisão de 30 de abril obtida pelo Bastidor, a juíza Márcia Mayumi Okoda Oshiro decretou a emissão de novos mandados de prisão contra Breu e os demais suspeitos para regularizar a situação na Interpol. Os mandados já estão ativos e os nomes voltaram à difusão vermelha. A magistrada não reconheceu a falha. Afirmou que a retirada dos mandados ocorreu para “regularização de dados cadastrais com o objetivo de evitar inconsistências no histórico e nas estatísticas do sistema”.
O problema é recorrente. Segundo ofício enviado pela PF ao Conselho Nacional de Justiça em junho de 2024, o Banco Nacional de Medidas Penais e Prisões não tem uma categoria específica para presos no exterior por notificações da Interpol. O resultado é sempre o mesmo: após a prisão de foragidos, a Justiça dá baixa nos mandados e trava o processo de extradição.
Procurada pelo Bastidor, a Justiça de São Paulo, a Polícia Federal e o Ministério Público de São Paulo não responderam até a publicação desta reportagem. As defesas dos suspeitos também não se manifestaram.

