A investigação da Receita que resultou na operação de hoje contra a corretora Wiz nasceu numa fiscalização no estado de São Paulo, mas é ampla e já produz filhotes país afora. Envolve lavagem de dinheiro e sonegação de tributos, entre outros crimes, por meio do velho e bom (ou temido) boleto.
As investigações incluem outras modalidades conhecidas de branquear dinheiro sujo. Mas o método do boleto alastrou-se de tal maneira que, internamente e talvez com exagero, auditores da Receita referem-se às investigações como uma “nova Lava Jato”.
Empresas de fachada emitiam boletos, que eram pagos por outras empresas de fachada. A transação gerava um fluxo de caixa que permitia o depósito do dinheiro limpo em contas secretas em paraísos fiscais ou a entrega em espécie no Brasil.
Até mesmo propina a funcionários públicos apadrinhados por partidos do centrão foi paga dessa maneira, segundo investigações da Polícia Federal ainda em andamento.
A operação contra a Wiz – que envolve suspeitas de ilegalidades na Caixa, cujo convênio com a corretora é esquadrinhado pela Receita e pela PF – é, portanto, uma das primeiras etapas de uma investigação com potencial para chegar longe.

