A Procuradoria-Geral da República denunciou o ex-presidente da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro Rodrigo Bacellar, do União Brasil, por obstrução de investigação. Bacellar é suspeito de vazar uma operação da Polícia Federal contra o Comando Vermelho (CV) para um colega, o deputado TH Joias. O caso está sob relatoria do ministro Alexandre de Moraes, que, recentemente, retirou o sigilo dos autos.

Segundo a denúncia apresentada na sexta-feira (13) pelo procurador-geral da República, Paulo Gonet, Bacellar recebeu informações sigilosas sobre a Operação Zargun pelo desembargador federal Macário Ramos Júdice Neto, do Tribunal Regional Federal da 2ª Região, e repassou o alerta a Thiego Raimundo de Oliveira Santos, conhecido como TH Joias, apontado como integrante do CV e um dos principais alvos da operação.

De acordo com o Ministério Público Federal, o vazamento ocorreu na noite de 2 de setembro de 2025, horas antes da deflagração da operação policial que mirava uma rede ligada ao tráfico internacional de armas e drogas do Comando Vermelho.

Segundo a denúncia, às 10h49 do dia 2, a PF informou à assessoria do desembargador Macário que a operação seria deflagrada na manhã seguinte. Segundo o relato do próprio Bacellar, às 11h ou 12h ele conversou com TH Joias no Palácio Tiradentes, sede da Alerj.

Ainda na tarde daquele dia, surgiram os primeiros indícios de obstrução. Imagens de câmeras de segurança registraram que, às 15h03, malas e objetos da casa de TH Joias começaram a ser retiradas. Segundo a denúncia, foi um sinal de que o deputado já tinha conhecimento do que estava por vir.

Além de Bacellar, foram denunciados Macário Júdice Neto, TH Joias, Jéssica de Oliveira Santos, esposa do ex-deputado, e Thárcio Nascimento Salgado, apontado como assessor e operador financeiro do grupo.

Em fevereiro, a PF já havia indiciado Bacellar e TH Joias no mesmo inquérito que apura a atuação de uma rede ligada ao CV dentro da Alerj. Segundo as investigações, os dois atuavam como uma frente política do CV na Alerj.

Bacellar chegou a ser preso em dezembro do ano passado durante a Operação Unha e Carne, também autorizada por Alexandre de Moraes, mas foi solto dias depois após a Alerj derrubar a prisão preventiva.