A Justiça de São Paulo suspendeu a assembleia geral extraordinária da Oncoclínicas prevista para esta sexta-feira (6). A decisão liminar atendeu a um pedido do fundo Josephina III, ligado à gestora americana Centaurus, que trava uma disputa bilionária com outros acionistas da companhia. A medida também suspendeu os efeitos da convocação da assembleia, que só poderá ser remarcada após deliberação colegiada do conselho de administração ou nova decisão do tribunal arbitral responsável pelo caso.

A assembleia iria eleger os novos integrantes do conselho de administração, com sete vagas, além de definir a presidência do colegiado. A escolha dos conselheiros ganhou importância diante da crise financeira da Oncoclínicas e da disputa pelo controle das decisões da companhia. O embate envolve a Centaurus e acionistas ligados à gestora Latache, que defendem a realização de uma Oferta Pública de Aquisição de Ações, OPA, pelo Josephina III.

Na terça-feira (3), outra assembleia também deixou de ocorrer. O encontro decidiria sobre a suspensão do direito de voto do Josephina III pelo descumprimento da obrigação de realizar a OPA, determinada pela Comissão de Valores Mobiliários, a CVM, em agosto. O fundo, porém, conseguiu uma liminar da Justiça Federal que suspendeu provisoriamente a exigência. Diante da decisão, a Oncoclínicas cancelou a assembleia por entender que ela havia perdido seu objeto.

A disputa começou após uma reorganização societária, em novembro de 2024, que levou o Josephina III a ultrapassar o limite de participação acionária previsto no estatuto da Oncoclínicas para exigir uma OPA. A CVM determinou a realização da oferta, mas o fundo contesta a obrigação na Justiça e numa arbitragem. O conflito ocorre enquanto a companhia tenta superar sua crise financeira por meio de uma recuperação extrajudicial.