O ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal, aceitou um pedido da defesa e determinou que o empresário Maurício Camisotti, um dos principais operadores da fraude contra aposentados e pensionistas do INSS, passa a cumprir prisão em regime domiciliar. Camisotti está preso preventivamente desde o dia 12 de setembro do ano passado.
Mendonça entendeu que Camisotti não tem mais meios de atrapalhar as investigações, por isso não precisa mais ficar encarcerado. Ele terá de usar tornozeleira eletrônica e não poderá ter contato com outros investigados no caso.
Camisotti é considerado pela Polícia Federal como sócio oculto da Ambec, a Associação dos Aposentados Mutualistas para Benefícios Coletivos, que faturou 178 milhões de reais entre 2019 e 2023 com o roubo do dinheiro de aposentados e pensionistas por meio de descontos ilegais, obtidos com ajuda de políticos e servidores do INSS. Ele é suspeito de ter movimentado cerca 790 milhões de reais nos últimos anos como dono de companhias que diziam prestar serviços a entidades associativas de aposentados e pensionistas.
O empresário foi o primeiro investigado da operação Sem Desconto a propor um acordo de delação premiada. As negociações começaram no fim do ano passado e foi assinado com a Polícia Federal em abril. Contudo, a Procuradoria-Geral da República, a PGR, pediu que o acordo fosse refeito. Com isso, o acordo ainda não foi oficializado.
Em nota, a defesa de Camisotti afirmou que Mendonça “reconheceu que a prisão não mais se justificava, seja pelo excesso de prazo, seja pelo desaparecimento de motivos de sustentação, e, ainda, porque Maurício jamais atrapalhou o andamento das investigações”.
Leia a íntegra da nota da defesa: