O empresário Rubens Ometto resiste em deixar a presidência do conselho da Raízen. Sua saída é uma das exigências de parte dos credores para dar continuidade ao plano de recuperação extrajudicial da companhia, aceito pela Justiça no mês passado. A empresa agora precisa obter a adesão de mais da metade dos credores ao plano.

No sábado (24), a Raízen enviou uma nova proposta. Segundo carta aos credores, a Shell e Ometto avaliam um novo aporte de até 5 bilhões de reais, conforme noticiado pela Bloomberg. O valor vai se somar aos 4 bilhões de reais já anunciados, elevando a capitalização potencial para até 9 bilhões de reais.

Uma pessoa que acompanha as negociações esclareceu ao Bastidor que o novo aporte atende à demanda de parte dos credores por maior injeção de capital pelos controladores. A Raízen é controlada pela Shell e pela Cosan, esta última sob controle de Ometto. No contexto da recuperação extrajudicial, o aporte de Ometto envolve recursos próprios, e não da Cosan.

Os controladores, porém, resistem a perder o comando da companhia, seja por diluição acionária, seja por redução de influência no conselho de administração. A Raízen busca reestruturar uma dívida de 65 bilhões de reais.

Como mostrou o Bastidor, essa nova fase expõe falhas na estratégia de Ometto nos últimos anos e dificuldades na gestão operacional da dívida. Ometto preside o conselho da Raízen desde 2011, com mandato atual até agosto de 2027.

O plano de recuperação da Raízen prevê trocar dívidas por novos títulos, converter parte delas em ações e reorganizar a estrutura societária, com possíveis cisões e redistribuição de ativos.

Segundo a lista apresentada à Justiça, 61,5% da dívida é em dólar, 4,7% em euro e 33,8% em reais, principalmente em CRAs, debêntures e derivativos.

O BNY Mellon é o maior credor individual, com mais de 19,7 bilhões de reais, acima de 30% da dívida total. A Pentágono Distribuidora tem exposição de cerca de 5,4 bilhões de reais e a True Securitizadora de aproximadamente 4,9 bilhões de reais. Entre os grandes bancos brasileiros, os principais credores são Bradesco, Itaú e Banco do Brasil, com 2 bilhões de reais, 1,27 bilhão de reais e 1,03 bilhão de reais, respectivamente.

O Bastidor procurou Raízen, Shell e Cosan por e-mail na tarde desta segunda-feira (27). As três companhias informaram que não vão comentar os pontos abordados na reportagem.

Texto modificado às 13h55 do dia 28 de abril para atualizar resposta de Raízen, Shell e Cozan.