Credores da Fictor acionaram a Justiça para ampliar o alcance das investigações sobre o destino dos recursos do grupo, em recuperação judicial. O foco é saber se a apuração incluirá estruturas no exterior, como a Fictor US, sediada em Miami, diante de suspeitas de ocultação e desvio de valores.

O pedido foi apresentado na quarta-feira (29), por meio de embargos de declaração no processo que tramita na 3ª Vara de Falências e Recuperações Judiciais do Tribunal de Justiça de São Paulo. Os credores querem mais clareza sobre o trabalho da PwC, responsável por rastrear a movimentação financeira do grupo.

São cerca de 13 mil credores da Fictor, que tem dívida estimada em 4,2 bilhões de reais. O pedido de recuperação judicial foi feito em fevereiro, após a Fictor ganhar visibilidade com a proposta de compra do Banco Master, e aprovado em 17 de abril, com aval do Ministério Público.

Entre os principais pontos, os credores cobram uma investigação mais ampla. Questionam se o rastreamento de recursos vai abranger todas as operações desde a criação da Fictor Invest – usada para captar dinheiro – e se incluirá movimentações de sócios e administradores. Também consideram curto o prazo de 30 dias para a entrega do relatório da PwC, diante da complexidade do caso.

Outro ponto envolve o período em que a empresa fica protegida de cobranças judiciais. Os credores pedem esclarecimentos sobre a contagem dos 180 dias e se há possibilidade de prorrogação com a inclusão de novas empresas no processo.

A lista de empresas abrangidas pela recuperação também é alvo de questionamento. Segundo os credores, parte das estruturas ligadas ao grupo ficou de fora, o que pode comprometer a transparência. Eles pedem um posicionamento da Justiça sobre a inclusão de veículos como Fictor Terras Raras, além de operações ligadas a crédito consignado e direitos creditórios.

Os credores pedem ainda a participação de autoridades federais, com a intimação do Ministério Público Federal e da Polícia Federal, citando possíveis crimes financeiros. Eles mencionam a Operação Fallax, que já atingiu o CEO da Fictor, Rafael Gói, e seu ex-sócio Luiz Phillippe Rubini.

Os embargos não contestam a recuperação judicial: buscam esclarecer pontos considerados omissos, como o fluxo de recursos, a estrutura internacional e o alcance das investigações. Durante a tramitação, o caso mudou de relatoria: o juiz Adler Batista Oliveira Nobre foi substituído pela juíza Fernanda Perez Jacomini após promoção.

O Bastidor procurou a Fictor e seus advogados por e-mail na quinta-feira (30), mas não houve resposta até a publicação.