Um dos fatores para a renúncia do CEO da Heineken, Dolf van den Brink, na semana passada foi um imbróglio milionário que a empresa está metida no Brasil num caso em que a cervejaria perdeu o direito de exploração da água que abastece sua fábrica na Bahia, fundamental para seu funcionamento. Ele ocupa o cargo desde 2020 e vai deixá-lo em 31 de maio.

 Desde 2021, o Bastidor trata do tema. A disputa opõe a Heineken ao empresário baiano Maurício Brito Marcelino da Silva. A contenda começou em 1996, quando o empresário pediu à Agência Nacional de Mineração – à época chamada Departamento Nacional de Produção Mineral (DNPM) – para pesquisar e explorar fosfato em uma área de cerca de 2 mil hectares em Alagoinhas, cidade próxima a Salvador.

O pedido, que incluía o direito ao uso do subsolo e da água ali presente, não foi atendido pelo órgão federal. Uma das justificativas foi justamente a instalação da fábrica da cervejaria Schincariol, que anos depois foi comprada pela Heineken.

Em 2015, o Superior Tribunal de Justiça reconheceu o direito originário do empresário sobre a área e anulou os atos administrativos da ANM contrários a Marcelino. No STJ, o processo está com trânsito em julgado, quando não cabem mais recursos. A ANM, contudo, não cumpriu a sentença até hoje. O custo de um acordo é cotado entre 300 milhões de reais a 500 milhões de reais.

A disputa na Bahia não foi o único. Houve outros casos, como já noticiou o Bastidor, em Minas Gerais e Pernambuco.

Em 2025, a Heineken enfrentou queda de 4,3% em suas vendas globais. Mercados como o do Brasil e dos Estados Unidos contribuíram significamente para o baixo resultado.

Em comunicado, a Heineken disse que van den Brink decidiu que este é o “momento certo” para a transição da liderança. A partir de junho, ele será uma espécie de consultor da empresa.