A Justiça Federal do Rio de Janeiro aceitou a denúncia do Ministério Público Federal (MPF) contra 12 ex-executivos da Americanas, acusados de participar da fraude contábil estimada em 54,2 bilhões de reais. Entre os réus está Miguel Gutierrez, ex-presidente da companhia. A informação foi revelada pela Reuters na noite de quinta-feira (15).
A decisão foi tomada pela 6ª Vara Federal Criminal do Rio de Janeiro. O processo corre em segredo de Justiça. O MPF apresentou a denúncia em março de 2025. Parte da demora ocorreu porque as defesas questionaram o acesso às provas reunidas pelos investigadores.
Segundo o MPF, os executivos manipularam balanços para esconder dívidas e apresentar resultados falsos ao mercado. Eles são acusados de associação criminosa, falsidade ideológica e manipulação de mercado. Parte do grupo também responde por uso de informação privilegiada.
Em junho, o Bastidor revelou que grandes bancos ajudaram a Americanas a esconder dívidas bilionárias dos auditores independentes. A informação consta da delação de um ex-diretor, que relatou um acordo firmado com instituições financeiras em 2017. A investigação também levou a Justiça a autorizar buscas contra acionistas de referência, apesar da posição contrária do MPF.
Desde o início do escândalo, a Americanas afirma que foi vítima de uma fraude planejada pelos antigos executivos. Procurada para comentar a decisão judicial, a companhia não retornou.