A nova gestão da Empresa Metropolitana de Águas e Energia, a Emae, começou um pente-fino nas contas da companhia após a destituição de Nelson Tanure do conselho de administração. Contratou uma consultoria independente para auditar os números e adiou a divulgação das demonstrações financeiras de 2025.
Segundo a Emae, a medida busca assegurar a consistência técnica, a integridade e a confiabilidade das informações relativas ao ano passado. A decisão reflete a desconfiança dos novos controladores em relação à gestão de Tanure.
Em comunicado ao mercado divulgado nesta terça-feira (24), a companhia informou que tomou a decisão após descobrir transações realizadas entre a Emae e Tanure e diante da existência de investimentos de cerca de 144 milhões de reais em papéis do Banco Master, liquidado pelo Banco Central em novembro, sob suspeita de fraudes.
As apurações internas devem ser concluídas em cerca de 100 dias. A divulgação das demonstrações financeiras está prevista para ocorrer até o fim de maio.
Na segunda-feira (23), a Emae elegeu novos membros do conselho de administração e da diretoria. A eleição marcou o primeiro ato formal da Sabesp como controladora da companhia e consolidou o afastamento de Tanure, que ainda constava como presidente do conselho, embora já não exercesse poderes na prática.
O CEO da Sabesp, Carlos Piani, foi eleito presidente do conselho de administração da Emae. O economista Rafael Strauch assumiu como CEO da companhia. Pedro Petersen foi escolhido diretor financeiro, de relações com investidores e administrativo.
Como mostrou o Bastidor, a venda da Emae para a Sabesp foi uma derrota para Tanure. Em 2024, o empresário arrematou a empresa por pouco mais de 1 bilhão de reais, em leilão promovido pelo governo de São Paulo. No ano seguinte, a companhia foi vendida contra sua vontade, após a Vórtx liquidar ações da Emae dadas como garantia na emissão de debêntures. Tanure tentou barrar a operação na Justiça e em órgãos reguladores, mas não conseguiu.
O Bastidor entrou em contato com a assessoria de Nelson Tanure, que preferiu não se manifestar.

