A Ambipar acionou na noite de segunda-feira (20) o pedido de recuperação judicial à 3ª Vara Empresarial do Rio de Janeiro para lidar com dívidas superiores a 10,7 bilhões de reais. Simultaneamente, o grupo também recorreu ao regime de proteção norte-americano, chamado Chapter 11, para sua controlada estrangeira sediada nas Ilhas Cayman.

De acordo com a companhia, o objetivo da medida é preservar a continuidade das operações e evitar o vencimento antecipado de dívidas. A Ambipar afirma que a reestruturação busca garantir a manutenção dos empregos mais de 23 mil colaboradores em diversos países e contratos em andamento. O documento é assinado pelos escritórios Salomão, Galdino e Basílio Advogados.

A companhia estava protegida contra vencimentos de dívidas com credores até quinta-feira (23), quando se encerrava o prazo da proteção judicial obtida no Tribunal de Justiça do Janeiro em setembro. O grupo precisava protocolar a recuperação judicial até essa data.

A crise da Ambipar se agravou após a renúncia do diretor financeiro João Daniel Piran de Arruda no mês passado e a identificação de possíveis irregularidades em operações de swap cambial. As descobertas resultaram em chamadas de garantias inesperadas por parte de credores, como o Deutsche Bank, e risco de “cross-default”, quando o não pagamento de uma dívida acelera o vencimento de outras obrigações.

A empresa afirma manter operações “funcionais e sólidas”, mas parte das informações financeiras, como o fluxo de caixa projetado, foi mantida sob sigilo.

Bastidor já mostrou que atividades da Ambipar foram questionadas no Congresso e no Tribunal de Contas de Pernambuco. Em Brasília, o questionamento tratou de acordo firmado com o Ministério dos Povos Indígenas, em janeiro, para gerir uma área de 1 milhão de km². Já o TCE-PE analisou contrato firmado com o governo pernambucano para coletar lixo em Fernando de Noronha.

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