O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, o STF, mandou bloquear até 6 bilhões de reais em bens do advogado Willer Tomaz, amigo do candidato do PL à Presidência, Flávio Bolsonaro. A decisão também quebra os sigilos bancário, fiscal e cambial de Willer, suspende seus passaportes e paralisa as atividades econômicas, financeiras e empresariais de todas as suas empresas. O bloqueio alcança bens móveis, imóveis, aviões e barcos.

Moraes tomou a decisão na sexta-feira (23), depois que a Polícia Federal descobriu que Willer havia viajado para Miami, nos Estados Unidos, após ser alvo de busca e apreensão na Operação Sem Desconto, em 4 de agosto, segundo o g1.

A operação investiga descontos indevidos em aposentadorias e benefícios do INSS. Segundo a PF, Willer atuava como um “hub financeiro, patrimonial e logístico” do esquema.

Willer também é investigado pela PF por suspeita de lavagem de dinheiro em negócios com bets. Uma nota técnica da Secretaria de Prêmios e Apostas, do Ministério da Fazenda, divulgada na terça-feira, 20, mostrou que ele foi o maior apostador em bets do país em 2025, com mais de 5 bilhões de reais movimentados e mais de 200 milhões sacados.

No mesmo dia, a PF cumpriu um mandado de busca contra Humberto Pradera, ex-servidor do Superior Tribunal de Justiça suspeito de vazar informações de processos para Willer, em operação também autorizada por Moraes.

Com a quebra de sigilo, os bancos terão de entregar todos os dados bancários de Willer e de suas empresas, incluindo a Alcazar Holdings, sediada na Ilha da Madeira, em Portugal.

Na campanha, Flávio Bolsonaro disse em entrevistas que mantém apenas relação pessoal com Willer e negou ter negócios com o advogado.

Ao Uol, a defesa de Willer classificou as medidas de Moraes como desproporcionais e afirmou que o bloqueio de 6 bilhões de reais não corresponde ao patrimônio do advogado. Também negou qualquer envolvimento dele nas fraudes do INSS.

O Bastidor procurou a defesa e o escritório de Willer, mas não teve retorno.