A empresária Roberta Luchsinger quer fazer uma delação premiada e diz que não poupará o presidente Lula nem seu filho, Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha. A declaração foi feita em entrevista à CNN Brasil exibida no sábado, 17, a oito dias do segundo turno. Roberta disse que pode acrescentar às investigações detalhes que não estão em suas mensagens de WhatsApp.

Disse também que pode relatar situações que presenciou sem ter participado delas. Afirmou estar pronta para colaborar com a Polícia Federal quando a Justiça considerar o momento adequado. Não anunciou acordo assinado.

Roberta é investigada pela PF ao lado de Lulinha em três inquéritos no Supremo Tribunal Federal, por tráfico de influência, corrupção, lavagem de dinheiro e organização criminosa. No âmbito da Operação Sem Desconto, que apura fraudes no INSS, a empresária teve bens bloqueados e passou a usar tornozeleira eletrônica. Segundo a PF, ela recebeu 1,5 milhão de reais de Antônio Carlos Camilo Antunes, o Careca do INSS.

Roberta afirmou que ministros procuravam a ela e a Lulinha para obter agenda com o presidente ou prioridade para projetos. Citou Leonardo Barchini, da Educação, e Frederico de Siqueira Filho, das Comunicações. Segundo ela, o caminho passava por Marco Aurélio Santana Ribeiro, o Marcola, então chefe de gabinete de Lula. Disse que não ganhava nada com isso. Marcola deixou o cargo em julho. Ele admite ter recebido 249 mil reais de Roberta, que descreve como empréstimo pessoal.

A empresária descreveu uma convivência diária com Lulinha. Disse que os dois estavam “sempre juntos” na casa que ela alugava em Brasília e que viajaram com familiares e amigos. Em agosto, Lula afirmou à TV Globo que não a conhece. Depois, a chamou de pilantra e de “Vorcaro feminino”.

Roberta disse que passou a sofrer agressões e ameaças depois das declarações do presidente. Afirmou que Lula a jogou “dentro de um círculo de leões”. “Qualquer coisa que acontecer comigo ou com minhas filhas, vai ter a digital do presidente, as mãos do presidente”, disse. Na entrevista, acusou Lula de mentir.

O Ministério da Educação negou qualquer discussão ou tratativa com Roberta ou Lulinha. O das Comunicações disse que nunca tratou com os dois sobre acesso à agenda presidencial e que seus contatos com a Presidência sempre seguiram as vias institucionais. Afirmou ainda que eles nunca estiveram no ministério.

A equipe de Lula disse que ele desconhece os fatos narrados, nunca manteve interlocução com Roberta nem recebeu suas demandas. Afirmou que o governo federal não tem contrato com ela. Também questionou o momento das declarações, às vésperas do segundo turno.

A defesa de Lulinha negou irregularidades. Afirmou que as relações dele com políticos são pessoais, fruto do convívio desde a infância. Disse que as declarações de Roberta são incompatíveis com o depoimento que ela prestou às autoridades e que ele provará sua inocência nos autos. Segundo a defesa, Lulinha não foi indiciado na operação do INSS.