A Polícia Federal cumpre nesta segunda-feira (14) quatro mandados de busca e apreensão contra o deputado federal Cezinha Madureira, do PL de São Paulo, sob suspeita de tráfico de influência em tribunais superiores. A operação Transparência foi autorizada pelo ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal.
A ação ocorre um dia antes de o plenário do Supremo analisar um relatório da Polícia Federal que menciona conversas entre o ministro Alexandre de Moraes e o ex-banqueiro Daniel Vorcaro antes de sua primeira prisão. O escritório Barci de Moraes, controlado pela esposa do ministro, também firmou um contrato de 131 milhões de reais com o Banco Master.
Madureira é aliado do ministro André Mendonça, relator das investigações do Banco Master, e um dos protagonistas da crise no Supremo em torno das relações entre Moraes e Vorcaro. Dentro do Supremo, Mendonça está no campo oposto ao do ministro Flávio Dino, que tem se alinhado a Moraes.
Segundo reportagem do site ICL Notícias, a aproximação entre Vorcaro e Mendonça, anterior às investigações sobre o caso Master, foi articulada por Madureira e pelo advogado Ciro Rocha Soares. Mensagens interceptadas da PF, segundo a reportagem, indicam que os dois atuaram como intermediários para viabilizar o encontro, ocorrido em março de 2025.
O inquérito conduzido por Dino apura suspeita de desvio de recursos de emendas parlamentares. A primeira fase da operação, deflagrada em dezembro de 2025, teve como alvo a servidora da Câmara Mariângela Fialek, conhecida como Tuca, ex-assessora de Arthur Lira e apontada como coordenadora do orçamento secreto durante os dois mandatos dele na presidência da Câmara. Segundo pessoas próximas à investigação, o potencial da apuração do inquérito se compara ao do inquérito das fake news, conduzido por Moraes até Fachin retirar o caso de suas mãos, após um embate entre os dois ministros.
A terceira fase da operação, batizada de Transparência, apura suspeita de tráfico de influência em tribunais superiores, segundo nota da PF. De acordo com a corporação, integrantes do grupo cobravam valores altos em troca da promessa de influenciar decisões judiciais em processos ainda em andamento.
Procurado por telefone na manhã desta segunda-feira (14), o deputado Cezinha Madureira não respondeu até a publicação desta reportagem.