Na decisão do ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal, que autorizou busca e apreensão contra o deputado federal Cezinha de Madureira, do PL, consta uma mensagem da advogada Mariângela Fialek ao parlamentar em que ela comemora a indicação de Jorge Messias ao STF com o seguinte texto: “Tu vais fazer mais um!”.
A mensagem foi enviada em outubro de 2025, logo após Cezinha se reunir com o presidente Lula e com Messias, advogado-geral da União. Para a Polícia Federal, a frase revela a percepção, entre os próprios investigados, de que o deputado teria capacidade de influenciar a composição da Corte.
O “mais um” na mensagem não é fortuito. Cezinha foi um dos principais articuladores da indicação de André Mendonça ao STF. Evangélico como o deputado, o ministro foi indicado no governo de Jair Bolsonaro. Também é aliado de Messias.
A mensagem ainda indica a proximidade de Mendonça com Cezinha, alvo de apuração da PF nesta segunda-feira (14) em inquérito que investiga suposta comercialização de influência junto a ministros do STF, do Superior Tribunal de Justiça e do Tribunal Superior Eleitoral.
A Polícia Federal apura se o deputado usava sua condição de parlamentar para induzir terceiros a acreditar que poderia intermediar decisões judiciais favoráveis, mediante contratos de honorários milionários firmados por advogadas a ele ligadas, entre elas a própria esposa, Valéria Rodrigues Linhares. Os crimes investigados são exploração de prestígio, tráfico de influência, corrupção passiva e lavagem de dinheiro.
Cezinha é um dos principais deputados evangélicos do país, ex-presidente da Frente Parlamentar Evangélica do Congresso e pastor da Assembleia de Deus Ministério Madureira, liderada pelo bispo Samuel Ferreira. Foi na cerimônia de posse de André Mendonça no STF, em dezembro de 2021, que Cezinha reafirmou sua influência à frente da bancada evangélica, sendo o próprio Ferreira quem articulou publicamente sua permanência no comando do grupo.
À época dos fatos investigados, Mariângela ocupava função dentro Câmara dos Deputados, ajudando a definir indicações de comissões e a destinação de emendas parlamentares, o que lhe dava trânsito direto com Cezinha e acesso a processos em tramitação no Supremo. Ela trabalhou com o deputado Arthur Lira, do PP, que presidiu a Casa.
A defesa de Cezinha ainda não se manifestou.
Leia a decisão de Dino: