O presidente do Senado, Davi Alcolumbre, se reuniu com o presidente Lula na manhã desta quarta-feira (12), no Palácio da Alvorada. É o segundo encontro entre os dois em pouco mais de uma semana: no dia 4, os dois conversaram na casa do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, de quem Alcolumbre é próximo, em um jantar de três horas que teve também a participação do ministro Cristiano Zanin.
Também estiveram na reunião desta quarta a líder do governo no Senado, Teresa Leitão, e o ministro das Relações Institucionais, José Guimarães. Segundo os dois, o clima foi descontraído e sem tensão, com Lula otimista e aberto durante toda a conversa, que deu sequência ao diálogo iniciado na semana passada com Alcolumbre. Guimarães chegou a dizer que a institucionalidade entre os dois palácios está reconstruída.
O encontro, segundo Guimarães, tratou de “todas as pautas do Brasil”, incluindo a PEC da Segurança Pública, a PEC do fim da jornada 6×1 e a questão dos minerais críticos. Alcolumbre ouviu as propostas do governo e prometeu consultar os senadores.
Nesta quarta, serão instaladas comissões especiais para analisar seis Medidas Provisórias. Entre elas está a que zera a taxa das “blusinhas”, que vence em 8 de setembro e é tida pelo governo como um ponto sensível para a campanha à reeleição de Lula. Se não for votada no prazo, a medida perde validade e as compras internacionais até 50 dólares voltam a ser taxadas.
O Congresso terá dois períodos de esforço concentrado até as eleições: esta semana e entre os dias 31 de agosto e 3 de setembro.
Em relação à PEC pelo fim da jornada 6×1, não houve compromisso de prazo. Teresa Leitão disse que o encaminhamento depende dos trâmites internos do Senado e de ouvir líderes de bancada, governo e oposição, e não descartou que a matéria só avance depois das eleições. A PEC da Segurança Pública também foi discutida, sem definição de calendário.
Lula e Alcolumbre estavam afastados desde novembro do ano passado, quando o presidente indicou o advogado-geral da União, Jorge Messias, a uma vaga no Supremo sem avisar. Alcolumbre, que preferia o senador Rodrigo Pacheco, se revoltou e iniciou uma série de represálias. Em 29 de abril deste ano, o Senado rejeitou a indicação de Messias, fato inédito em 130 anos. O Senado também aprovou diversas matérias que aumentaram as despesas do governo em centenas de bilhões de reais para os próximos anos.
Agora, Lula precisa do Senado para sua agenda eleitoral, e Alcolumbre precisa de capital político para sua sucessão em 2027. O presidente da Câmara, Hugo Motta, já declarou apoio à reeleição de Lula. O entorno do governo espera que Alcolumbre faça o mesmo.

