A Previ chega à assembleia da Vale desta quarta-feira (22) perto de emplacar seu candidato na Presidência do conselho da mineradora.

O mapa de votação à distância divulgado pela companhia mostra Manuel Lino de Sousa Oliveira, o Ollie, com 1,29 bilhão de votos favoráveis. Marcelo Gasparino, vice-presidente do conselho, soma 746 milhões. O documento reúne votos equivalentes a 48,5% do capital votante e ainda não inclui os detentores de ADRs, que serão representados pelo JPMorgan na assembleia.

A vantagem de Ollie é resultado de uma ofensiva iniciada em junho. A Previ pediu a destituição de Daniel Stieler, então presidente do conselho, indicou José Maurício Pereira Coelho para ocupar sua cadeira e declarou apoio a Ollie para comandar o colegiado. Stieler renunciou em 6 de julho, antes da assembleia. Ollie já integra o conselho e lidera os conselheiros independentes.

O movimento reacendeu as suspeitas de interferência política do governo Lula na Vale. A Previ, fundo de pensão dos funcionários do Banco do Brasil, é a maior acionista individual da mineradora. Em 2024, Lula tentou emplacar Guido Mantega no comando da companhia.

Na disputa atual, o ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, pediu em junho uma reunião urgente com todos os conselheiros. O pedido causou mal-estar, e o encontro não ocorreu, como mostrou a CNN Brasil.

A atuação da Previ passou a ser examinada pela Comissão de Valores Mobiliários. A CVM abriu um processo após investidores questionarem se o apoio público a Ollie contrariou compromissos de governança da Vale e se o fundo poderia votar na assembleia. A autarquia pediu esclarecimentos à companhia.

A disputa envolve o modelo de governança adotado após o fim do antigo acordo de acionistas, formado por Previ, BNDESPar, Bradespar e Mitsui.

Gasparino sustenta que os antigos acionistas de referência se comprometeram a deixar a escolha do presidente nas mãos dos órgãos de governança da Vale, sem interferência direta dos integrantes do antigo bloco.

A Previ contesta essa interpretação. Uma fonte ligada ao fundo de pensão disse ao Bastidor que as regras exigem um presidente independente, mas não impedem acionistas de apoiar publicamente um candidato.

Oficialmente, o fundo afirma que escolheu Ollie por sua qualificação, experiência internacional e independência. Nega motivação política e afirma agir como investidor institucional.

A ofensiva, porém, pode ser apenas parcial. José Maurício aparece com 616 milhões de votos favoráveis para a vaga deixada por Stieler, ante 1,39 bilhão de Ieda Gomes Yell. A Previ pode perder essa cadeira e ainda alcançar seu principal objetivo: colocar Ollie no comando do conselho.