A revelação de que uma rede de páginas anônimas gastou cerca de 1,3 milhão de reais em anúncios no Instagram e no Facebook contra Flávio Bolsonaro e Tarcísio de Freitas — e, em paralelo, impulsionou publicações favoráveis a Fernando Haddad, pré-candidato do PT ao governo paulista — provocou apreensão imediata no PT de São Paulo. O levantamento, publicado pelo jornal O Globo com base em dados da própria Meta, identificou sete perfis com menos de 400 seguidores cada, registrados em datas próximas, com telefones do Paraná e vinculados a sites genéricos em espanhol, indícios de operação coordenada e de financiamento oculto.

O caso já produziu pedidos de investigação e de preservação de dados junto à Meta, o que abre caminho para uma apuração formal sobre a origem dos recursos, os responsáveis pelos perfis e a existência ou não de conexão com a pré-campanha.

Reservadamente, petistas se referem ao episódio como um potencial “Aloprados 2”, numa alusão à crise de 2006, quando militantes do partido foram presos ao tentar comprar um dossiê contra adversários tucanos às vésperas do primeiro turno. O temor é o mesmo de vinte anos atrás, de que a investigação avance sobre o entorno de Haddad e caiba à Polícia Federal esclarecer se houve financiamento irregular, estrutura paralela ou vínculo entre os operadores das páginas e integrantes da pré-campanha.

Não há, até agora, qualquer indicação pública de envolvimento da pré-campanha de Haddad com as páginas, e a apuração está em estágio inicial. O caso, porém, já contamina o ambiente da disputa paulista.