O Banco Central formalizou nesta quarta-feira, 1º, a abertura do inquérito sobre o grupo Entrepay, conglomerado financeiro liquidado em março e comandado por Antônio Carlos Freixo Júnior, o Mineiro, empresário que aparece em investigações relacionadas ao Banco Master.
O ato designa os servidores responsáveis por conduzir a apuração. Foram escolhidos Valtoir Lourosa Cortes, Diego Rodrigues Oliveira e Sérgio Ferreira da Silva. Cortes será o presidente da comissão. Os demais atuarão como relatores.
A abertura de inquérito é obrigatória após a liquidação extrajudicial de uma instituição financeira. Na prática, a comissão terá a função de investigar as causas da quebra e apontar eventuais responsabilidades de administradores e controladores. O procedimento não representa, por si só, uma acusação formal.
A liquidação do grupo de Mineiro foi motivada, segundo o BC, pela fragilidade financeira das empresas, por violações às normas de regulação do mercado e pelo aumento do risco aos credores.
A principal empresa do conglomerado era a Entrepay. Também foram liquidadas a Acqio e a Octa. As duas primeiras atuavam no setor de pagamentos. A terceira operava no mercado de crédito direto. De acordo com o BC, o grupo era de pequeno porte e representava 0,009% do sistema financeiro. A liquidação não afeta o Fundo Garantidor de Créditos, o FGC.
Mineiro foi alvo da Operação Compliance Zero, a mesma que atingiu Daniel Vorcaro, dono do Banco Master. A investigação apura crimes contra o sistema financeiro. A operação também teve como alvo Júlia Grasiela de Oliveira Freixo, cofundadora e diretora jurídica do Grupo Enter. Ela e Mineiro foram alvos de mandados de busca e apreensão na segunda fase da operação, em janeiro.
Um dos fundos ligados à Entrepay, o FIDC Rover, fez negócios com ao menos três fundos apontados por investigadores como usados pelo PCC: Hans 95, Reag Growth e Anna FIC.
A Entrepay também manteve contratos com bancos públicos. Entre eles estão o Banpará, controlado pelo governo do Pará, e o Banco do Nordeste, ligado ao governo federal.
No início de março, o BNB suspendeu um contrato com a instituição de Mineiro para o fornecimento de máquinas de cartão a empresários atendidos pelo CrediAmigo, programa de microcrédito voltado a pequenos negócios. No mesmo período, usuários dessas máquinas passaram a relatar problemas para receber valores processados pelos equipamentos da Entrepay.
O Banco do Estado de Sergipe, a Telefônica e o Digimais, banco do bispo Edir Macedo, também aparecem na lista de clientes da Entrepay. A empresa oferecia serviços como operação de máquinas de cartão, microcrédito, processamento de pagamentos, microsseguros e antecipação de recebíveis.
A relação entre Mineiro e Daniel Vorcaro é anterior à operação da PF. Os dois são réus em um processo da Comissão de Valores Mobiliários que apura fraudes ligadas ao fundo Brazil Realty. O caso foi aberto em novembro de 2020. No ano passado, a CVM rejeitou uma proposta de acordo de 21,3 milhões de reais apresentada pelos acusados. O processo está pronto para julgamento pelo colegiado da autarquia.

