O Banco Central decretou nesta sexta-feira (27) a liquidação extrajudicial de três fintechs do Grupo Enter, fundado por Antônio Carlos Freixo Júnior, o Mineiro. A decisão foi motivada pela fragilidade financeira das empresas, violações às normas de regulação do mercado e aumento do risco aos credores.
A Entrepay, principal empresa do grupo, foi liquidada, assim como a Acqio e a Octa. As duas primeiras ofereciam serviços de pagamento e a terceira atuava no mercado de crédito direito. Segundo o BC, o conglomerado de Mineiro era de porte pequeno, com uma fatia de 0,009% do sistema financeiro. A liquidação das instituições não afeta o Fundo Garantidor de Créditos, o FGC.
Cássio Haig Vartanian, ex-funcionário do Banco Central, foi nomeado liquidante. Caberá a ele fazer o levantamento dos credores e iniciar o processo de ressarcimento dos clientes e fornecedores que têm algum dinheiro a receber da Entrepay.
Desde novembro, o BC realizou sete rodadas de liquidação, atingindo 12 instituições financeiras, a maioria ligada ao escândalo do Banco Master. Assim como Daniel Vorcaro, Mineiro foi alvo da Operação Compliance Zero, que investiga crimes contra o sistema financeiro. Um dos fundos da Entrepay, o FIDC Rover, fez negócios com ao menos três fundos usados pelo PCC, a maior facção criminosa do país: o Hans 95, Reag Growth e Anna FIC.
A ação da Polícia Federal também atingiu a cofundadora e diretora jurídica do Grupo Enter, Júlia Grasiela de Oliveira Freixo. Tanto ela quanto Mineiro foram alvos de mandados de busca e apreensão na segunda fase da operação, em janeiro.
O relacionamento de Mineiro e Vorcado é anterior à operação da PF. Ambos são réus em um processo na Comissão de Valores Mobiliários (CVM) que apura fraudes ligadas ao fundo Brazil Realty. O caso foi aberto em novembro de 2020. No ano passado, a CVM rejeitou a proposta de acordo de 21,3 milhões de reais apresentada pelos acusados. O caso está pronto para ser julgado pelo colegiado do órgão.
A Entrepay manteve contratos com bancos públicos, como o Banpará, do governo do Pará, e o Banco do Nordeste (BNB), controlado pelo governo federal. No dia 13, o BNB suspendeu um contrato com a instituição de Mineiro para o fornecimento de máquinas de cartão de crédito a empresários que tinham empréstimos com o programa CrediAmigo, voltado a pequenos negócios. No início deste ano, usuários dessas máquinas começaram a relatar problemas para receber os valores negociados por meio dos equipamentos da Entrepay.
O Banco do Estado de Sergipe (Banese), a Telefônica e o banco Digimais, do bispo Edir Macedo, também constam na lista de clientes para os quais a Entrepay oferecia serviços que iam desde a operação de máquinas de cartões a microcrédito, processamento de pagamentos, microsseguros e antecipação de recebíveis.

