Imersa há anos numa disputa entre as famílias Fares e Nasser, a rede de lojas Marabraz, uma das maiores varejistas de móveis do país, entrou com pedido de recuperação judicial na noite de sábado (15). O caso foi distribuído à 3ª Vara de Falências e Recuperações Judiciais de São Paulo.
O pedido de ajuda abrange cinco empresas do grupo: Comercial Zena Móveis, Monta Móveis Prestadora de Serviços, Comercial Móveis das Nações, Comercial de Móveis Jordanésia e SVC Jaraguá Comercial. Os advogados afirmam que as companhias não têm caixa para honrar a dívida de 140 milhões de reais.
As dificuldades do setor varejista no Brasil têm seu papel na situação, mas o principal motivo para o socorro judicial foi a disputa entre os herdeiros da marca. O conflito opõe os irmãos Jamel Fares e Nasser Fares a seus filhos e sobrinhos: Najla (filha de Nasser); Karine, Abdul e Sumaya (filhos de Jamel); e Nader e Raquel (filhos de um terceiro irmão, Adiel, que não consta no processo).
Eles brigam pelas quotas da LP Administradora, holding da família que administra um robusto portfólio de imóveis e abriga um patrimônio estimado em 5 bilhões de reais. Em 2011, os três irmãos que controlavam a holding (Jamel, Nasser e Adiel) transferiram aos seis filhos as respectivas participações no negócio. Agora, Jamel e Nasser querem recuperar os 66% correspondentes que pertenciam a eles e que estão em nome dos seus quatro filhos.
A briga entre os herdeiros prejudicou a obtenção de crédito da Marabraz ao longo dos últimos anos. Segundo explicaram os advogados à Justiça, a operação da empresa era muito dependente de financiamentos bancários. Para conseguir dinheiro no mercado, o grupo usava imóveis próprios como garantia de pagamento.
Contudo, durante a disputa, a propriedade desses imóveis passou a ser questionada como garantia pelas instituições financeiras, que apertaram ainda mais a concessão de crédito à Marabraz.
Os advogados alegam que, apesar da dificuldade em quitar as dívidas, não houve retração expressiva da demanda dos clientes. Porém, sem o dinheiro dos bancos, fica difícil manter estoques nos níveis necessários para a operação da empresa. Atualmente, além das lojas, a Marabraz conta com dois grandes centros de distribuição em São Paulo.
A Marabraz fez seu pedido um dia antes da Casas Bahia, sua concorrente no setor. Apesar do pedido de recuperação, a Marabraz afirma que pretende manter todas as lojas funcionando.

