A Polícia Federal cumpriu, nesta quarta-feira (1º), mandados de busca e apreensão contra advogados e empresários apontados como responsáveis por movimentar e sacar parte dos 468 mil reais em espécie encontrados em um flat do líder do PL na Câmara, Sóstenes Cavalcante, em dezembro, em Brasília. O deputado não é alvo desta nova fase da operação.
O dinheiro foi apreendido na primeira fase da operação Galho Fraco, que investiga suspeita de desvio de dinheiro público da cota parlamentar de Cavalcante. A suspeita inicial é que o dinheiro da cota tenha sido desviado por meio de um contrato de aluguel de carros com a Harue Locação de Veículos, que prestava serviços aos gabinetes de Sóstenes e de Carlos Jordy, também deputado do PL do Rio de Janeiro.
A nova fase foi autorizada pelo ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal, a partir de suspeita da PF de que o dinheiro encontrado no flat de Sóstenes seja originário do esquema de desvio de cota. Em dezembro, Sóstenes disse que a quantia apreendida no seu armário era proveniente da venda de um imóvel em Minas Gerais para o advogado Thiago Ferreira de Paula por 500 mil reais.
A PF detectou buracos na versão de Sóstenes. A escritura apresentada pelo deputado só foi feita em 30 dezembro de 2025, 11 dias depois da apreensão do dinheiro. A PF não encontrou, nos registros bancários de Thiago, nenhum saque de dinheiro compatível com essa data e esse valor. Ao verificar a vida financeira de Thiago por meio de Relatórios de Inteligência Financeira do Coaf, no entanto, a PF descobriu ainda que a movimentação financeira dele supera em 17 vezes sua renda.
Segundo a PF, as etiquetas nos pacotes de dinheiro apreendidos com Sóstenes permitiram identificar que os saques partiram de duas empresas, a Ejus Empreendimentos Imobiliários e a Foco Engenharia e Incorporações, em contas ligadas ao Sicredi e ao Banco do Brasil.
Segundo a PF, as duas empresas são consideradas de fachada e são administradas pela J. Umbelino Participações, controlada por Jonas Keslley Gonçalves Umbelino, empresário alvo de busca e apreensão nesta quarta-feira. A área financeira das empresas era operada pela irmã de Keslley, Jecy Kenne Gonçalves Umbelino, também alvo da ação.
As duas empresas funcionam no mesmo endereço, em Valparaíso de Goiás, no entorno de Brasília. A PF identificou 12 saques em espécie da Ejus, totalizando 2,5 milhões de reais, e 10 saques da Foco, totalizando 2 milhões de reais. Esses 4,5 milhões de reais integram um total maior: somando-se outras empresas ligadas a Jonas e Jecy, os dois irmãos realizaram 81 saques em espécie, que totalizam 15,5 milhões de reais.
Relatório produzido pelo Coaf atribui indícios de lavagem de dinheiro aos dois, entre eles 14 saques programados para o mesmo dia, em fevereiro deste ano, somando 2 milhões de reais.
Em relatório para o ministro Flávio Dino, a Polícia Federal reconhece que, até o momento, não foi possível relacionar diretamente as movimentações do relatório do Coaf ao dinheiro encontrado com Sóstenes. A PF investiga suspeitas de peculato, lavagem de dinheiro e organização criminosa.
A Procuradoria-Geral da República se manifestou contra o pedido da PF de busca no escritório de Thiago de Paula, mas deu parecer favorável à busca em sua residência. Na avaliação da PGR, é frágil a ligação do escritório com as movimentações suspeitas. Dino determinou a quebra dos sigilos bancário e fiscal de Thiago, Jonas e Jecy, de forma retroativa, desde 2021.
Procurado, Sóstenes não se manifestou. O Bastidor tenta contato com as defesas de Thiago de Paula, Jonas Keslley e Jecy Kenne.

