Pessoas próximas ao presidente Lula vão recomendar ao senador Jaques Wagner que deixe a liderança do governo no Senado. Antes de anunciar a decisão, porém, Wagner quer conversar com Lula. A questão é que o recado é para que Wagner saia antes de aparecer ao lado do presidente.
Jaques Wagner foi alvo, na quinta-feira (18), da 9ª fase da Operação Compliance Zero, que investiga suspeitas de corrupção e lavagem de dinheiro ligadas ao Banco Master. Ele é o primeiro integrante do PT atingido pelo caso.
Aliados do senador, sobretudo lideranças petistas da Bahia, passaram o fim de semana tentando convencer Wagner de que permanecer no cargo só ampliaria o desgaste para ele e para a campanha de Lula à reeleição. O argumento que prevaleceu é que sair agora é o gesto político menos danoso.
A relação entre Wagner e o Planalto já vinha estremecida desde a derrota na votação do nome de Jorge Messias, advogado-geral da União indicado para o Supremo Tribunal Federal. O episódio expôs uma dificuldade real do líder em segurar votos numa pauta que o governo considerava prioritária. Há alguns dias, numa reunião do PT, Lula enviou uma lista de mudanças que gostaria de fazer nas lideranças do governo no Senado.
A entrevista que Wagner deu à BandNews no mesmo dia da operação também não ajudou. O senador negou as acusações e disse que Lula não havia pedido sua saída. A declaração foi mal recebida. Para auxiliares do presidente, Wagner se precipitou ao falar sobre isso antes de combinar o discurso com o presidente.

