Em uma reunião com a bancada do seu partido, nesta terça-feira (19), o pré-candidato do PL à Presidência, Flávio Bolsonaro, foi pressionado por colegas a esclarecer se ainda aparecerá mais algum episódio seu com o banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master. Todos queriam se precaver contra surpresas.
Na semana passada, o site The Intercept Brasil revelou que o senador obteve de Vorcaro 10 milhões de dólares para o patrocínio do filme Dark Horse, sobre a trajetória política do ex-presidente Jair Bolsonaro. Aliados de Flávio foram pegos de surpresa e ficaram perdidos.
A reunião foi organizada para tentar conter os danos políticos provocados pela revelação dos contatos de Flávio com Vorcaro. Apesar do esforço da direção do PL para demonstrar apoio à candidatura de Flávio, apenas 70 dos 128 parlamentares do partido participaram.
O deputado Nikolas Ferreira, de Minas Gerais, um dos principais nomes da legenda, com 22 milhões de seguidores nas redes sociais, faltou ao encontro. Afirmou que tinha uma agenda no Acre. Ferreira é continuamente criticado pelo ex-deputado Eduardo Bolsonaro e se mantém distante da família.
Outra justificativa é que os parlamentares estavam ocupados com a XXVII Marcha a Brasília em Defesa dos Municípios, evento que reúne prefeitos e lideranças municipais na capital federal ao longo da semana.
Nesta terça, horas antes da reunião, Flávio admitiu que esteve na casa de Vorcaro, em São Paulo, depois que ele havia deixado a prisão. Durante o encontro, ele disse aos colegas que foi até Vorcaro para encerrar o financiamento do filme.
Deputados e senadores demonstraram preocupação com a possibilidade de novos vazamentos envolvendo Vorcaro e com o impacto político do caso sobre o partido. Aliados de Flávio tentaram minimizar o episódio e defenderam que as conversas ocorreram exclusivamente para captar dinheiro para o filme.

