O ex-governador do Rio Cláudio Castro, do PL, e Ricardo Magro, dono da Refit, antiga refinaria de Manguinhos, são os dois principais alvos da operação Sem Refino, da Polícia Federal, nesta sexta-feira (15), contra fraudes no setor de combustíveis.

Castro é alvo de ações de busca e apreensão autorizadas pelo ministro Alexandre de Moraes, relator do caso no Supremo Tribunal Federal. Moraes determinou ainda a prisão de Magro, considerado pela Receita Federal o maior devedor de tributos do Brasil, que vive em Miami, nos Estados Unidos.

O ministro Alexandre de Moraes determinou a inclusão do nome de Ricardo Magro na lista de difusão vermelha da Interpol, que serve para a captura de fugitivos internacionais. Mas, para que o mandado de prisão seja cumprido, a PF precisará ao menos da anuência do FBI. Segundo um investigador ouvido pelo Bastidor, Magro tem cidadania americana e só a ordem da Interpol ou do STF não basta para efetuar a prisão.

Alexandre de Moraes determinou ainda o bloqueio de ativos equivalentes a 52 bilhões de reais, para garantir o pagamento das dívidas da Refit. A PF suspeita que a Refit utilizou sua estrutura societária e financeira “para ocultação patrimonial, dissimulação de bens e evasão de recursos ao exterior”, segundo nota da corporação.

Cláudio Castro é pré-candidato ao Senado pelo PL. Ele renunciou ao cargo de governador em 23 de março, um dia antes de ser cassado pelo Tribunal Superior Eleitoral por abuso de poder político e econômico na eleição de 2022.

Ao todo, a operação cumpriu 17 mandados de busca e apreensão e determinou o afastamento de servidores públicos. Entre os alvos estão o desembargador afastado Guaraci Vianna, suspeito de ter concedido decisões favoráveis ao grupo Refit em troca de propina; o ex-procurador do estado Renan Saad; e o ex-secretário estadual de Fazenda Juliano Pasqual. Todos são suspeitos de atuar em favor da Refit.

Ricardo Magro foi alvo recentemente de menções pelo presidente Lula. Em dezembro do ano passado, Lula falou sobre Magro diretamente a Trump. Em um evento no Planalto, Lula se referiu ao empresário como “um dos grandes chefes do crime organizado”. Em fevereiro, durante entrevista concedida em Nova Déli, Lula disse ter enviado a Trump informações sobre a localização do que chamou de “maior devedor do país”, em alusão a Magro.

Em nota, a defesa do ex-governador Cláudio Castro afirma que todos os procedimentos adotados durante a gestão seguiram critérios técnicos e legais, incluindo a política de incentivos fiscais do estado.

A Refit negou irregularidades fiscais, afirmando que laudos científicos comprovam a legalidade dos produtos importados, e rejeitou qualquer vínculo com o crime organizado, citando denúncias próprias às autoridades contra postos ligados a facções. A empresa classificou as operações como prejudiciais à concorrência.

Leia a íntegra da nota da defesa de Cláudio Castro:

Leia a íntegra da nota da Refit:

Texto atualizado às 15h30 para incluir as manifestações da defesa de Cláudio Castro e da Refit.