O grupo Toky, controlador das redes Tok&Stok e Mobly, entrou com pedido de recuperação judicial nesta terça-feira (12), com dívida declarada de 1,1 bilhão de reais. A companhia afirma que a pressão sobre o caixa foi agravada por um “bloqueio irregular” de 77 milhões de reais em recebíveis de cartão de crédito.
O pedido foi protocolado na 3.ª Vara de Falências e Recuperações Judiciais do Tribunal de Justiça de São Paulo pelo escritório TWK Advogados, liderado por Joel Luís Thomaz Bastos.
Na ação, o grupo afirma que o bloqueio dos recebíveis foi realizado pela SRM Bank sem contrato assinado e sem aviso prévio, embora a dívida com a instituição seja de 1,3 milhão de reais.
Segundo a companhia, a retenção dos valores compromete o capital de giro usado para pagar fornecedores, logística e salários, além de colocar em risco o pagamento da folha nesta semana. O vencimento está previsto para 15 de maio, três dias após o protocolo do pedido de RJ.
A ação envolve seis empresas do grupo e cita risco para 2,3 mil empregos diretos e 63 lojas físicas no país. A Cielo, uma das operadoras de pagamento envolvidas, liberou os valores sob sua gestão após questionamentos da empresa, mas outros bloqueios permaneciam ativos no momento em que a ação foi apresentada à Justiça.
O grupo também pede a suspensão de cláusulas que antecipam automaticamente a cobrança de dívidas após o pedido de recuperação judicial, além da manutenção de contratos considerados essenciais para a operação, incluindo serviços de tecnologia, energia e logística. A empresa solicita ainda o desbloqueio imediato dos valores retidos e o stay period de 180 dias, mecanismo que suspende cobranças e execuções enquanto o plano de recuperação é negociado com os credores.
Na petição, o grupo atribui a crise aos efeitos da pandemia, à inflação, à retração do consumo e às dificuldades na integração operacional após a fusão entre Tok&Stok e Mobly. A empresa sustenta que enfrenta um desequilíbrio conjuntural, e não estrutural, e defende a viabilidade da operação.
O juiz Henrique Inoue, da 3.ª Vara de Falências e Recuperações Judiciais, deve decidir nos próximos dias sobre os pedidos de urgência, incluindo o desbloqueio dos recebíveis e a manutenção de contratos considerados essenciais para o funcionamento do grupo.
O Bastidor procurou a SRM Bank, que não retornou.

