Uma semana após a operação da Polícia Federal que atingiu executivos da Fictor, credores da companhia se reuniram para definir a estratégia no processo de recuperação judicial. O objetivo é formar um grande bloco capaz de influenciar o plano de recuperação, caso o pedido seja aceito pela Justiça. A Fictor tem cerca de 13 mil credores e uma dívida de 4,2 bilhões de reais.

O encontro ocorreu na quarta-feira (1º), de modo virtual. O Bastidor teve acesso à gravação da reunião, que durou pouco mais de uma hora. A conferência foi conduzida pelo advogado Nilson Moraes Júnior, do Moraes e Leal Advogados Associados, e reuniu cerca de 90 credores da Fictor.

Moraes Júnior esclareceu que representa quase 100 credores, com cerca de 40 milhões de reais em créditos. Também afirmou que busca atrair outros escritórios e credores para consolidar um bloco robusto. Sua intenção é reunir um grupo capaz de influenciar no processo de recuperação.

Para o advogado, o juiz responsável pelo caso tem decidido com rapidez. Assim, considera que o deferimento – ou não – do pedido de recuperação judicial pode ocorrer até o dia 10. O processo corre na 3ª Vara de Falências e Recuperações Judiciais do Tribunal de Justiça de São Paulo e é conduzido pelo juiz Adler Batista Oliveira Nobre.

Na semana passada, o Ministério Público de São Paulo emitiu parecer favorável ao deferimento do pedido de recuperação judicial. O promotor Roberto de Campos Andrade acompanhou integralmente o relatório da perícia judicial. Tanto o MP quanto a perícia concluíram que a Fictor cumpriu os requisitos legais para o processo, apesar de inconsistências contábeis.

Dois dias após essa manifestação, a Polícia Federal deflagrou a Operação Fallax, que investiga um esquema de lavagem de dinheiro e fraude financeira contra bancos públicos e privados. O CEO da Fictor, Rafael Góis, e o ex-sócio Luiz Phillippe Rubini foram alvos de mandados de busca e apreensão. Ambos negam envolvimento nas irregularidades.

Até a operação, os credores consideravam provável a aceitação do pedido de recuperação judicial. Agora, também avaliam a possibilidade de decretação imediata de falência, embora essa hipótese ainda seja vista como menos provável.

Diante desse cenário, a principal estratégia passou a ser o afastamento de Rafael Góis da gestão, caso a recuperação seja deferida. Em geral, esse tipo de medida não é comum. Normalmente, o juiz nomeia um administrador judicial, que atua como fiscal do processo, sem retirar os executivos do comando.

Os credores também discutiram a necessidade de bloquear o patrimônio de sócios e ex-sócios, além de estruturar o bloco majoritário para atuação nas assembleias. A intenção é destituir a atual gestão, gerar caixa e viabilizar o pagamento das dívidas.

Na reunião, Moraes Júnior afirmou que já solicitou o bloqueio de bens dos sócios, embora a medida não esteja prevista nessa fase do processo. Segundo ele, a iniciativa busca evitar a dilapidação do patrimônio. O juiz do caso já sinalizou que não irá tolerar pedidos que antecipem discussões e causem tumulto nos autos.