A Polícia Federal desmantelou, nesta quarta-feira (25), um esquema de lavagem de dinheiro e fraude financeira que causou prejuízo superior a 500 milhões de reais a bancos públicos e privados a partir de Americana, no interior de São Paulo. Thiago Brando de Azevedo, conhecido como Ralado, praticava fraudes contra a Caixa Econômica Federal, o Bradesco e o Santander.
A Operação Fallax também teve como alvos executivos do grupo Fictor, que tentou comprar o Banco Master antes de sua liquidação pelo Banco Central,em novembro. Segundo um investigador ouvido pelo Bastidor, duas pessoas ligadas à Fictor foram alvo da ação: o CEO Rafael Góis e o ex-sócio Luiz Phillippe Rubini.
O objetivo da operação foi desarticular o grupo de Ralado, especializado em fraudes bancárias, sobretudo contra a Caixa Econômica Federal, além de estelionato e lavagem de dinheiro ligada ao tráfico de drogas.
A investigação começou em 2024, a partir de provas compartilhadas das operações Oposição e Rala Nota, deflagradas pelo Gaeco de Piracicaba. As apurações identificaram um esquema estruturado para obtenção de vantagens ilícitas, com cooptação de gerentes de agências bancárias.
Segundo a PF, Ralado criava empresas de fachada para obter empréstimos sem pagamento, com apoio de gerentes e contadores. Em alguns casos, funcionários de instituições financeiras inseriam dados falsos nos sistemas para viabilizar saques e transferências indevidas. As contas dessas empresas eram estruturadas para evitar alertas ao Coaf.
De acordo com a investigação, Ralado prestou serviços para um grupo chamado Bonde do Magrelo, ligado ao Comando Vermelho. No caso, seu esquema servia para lavar dinheiro do tráfico de drogas.
A apuração indicou que executivos da Fictor mantinham contato com Ralado e utilizavam suas empresas de fachada e contas de laranjas para movimentar dinheiro. A relação foi comprovada por mensagens de WhatsApp descobertas pela PF. Inicialmente, a PF trata essa interação como prestação de serviços de lavagem de dinheiro, com integrantes da Fictor na condição de clientes de Ralado. Até o momento, não há evidências de uso direto da estrutura do grupo Fictor no esquema.
A operação não apresenta ligação com outras frentes envolvendo a Fictor, como a tentativa de compra do Banco Master, no ano passado, e as acusações de fraude na captação de recursos por meio de Sociedades em Conta de Participação (SCP). O grupo Fictor pediu recuperação judicial e aguarda decisão da Justiça de São Paulo.
Foram cumpridos 43 mandados de busca e apreensão e 21 de prisão preventiva, expedidos pela juíza Maria Isabel do Prado, da 5ª Vara Criminal Federal de São Paulo, em cidades dos estados de São Paulo, Rio de Janeiro e Bahia.
A Justiça também autorizou o bloqueio e o sequestro de bens imóveis, veículos e ativos financeiros até o limite de 47 milhões de reais, para descapitalizar a organização criminosa. Houve ainda quebra de sigilo bancário e fiscal de 33 pessoas físicas e 172 pessoas jurídicas, além de medidas para rastreamento de ativos financeiros. As empresas do grupo Fictor não foram atingidas pela decisão.
Durante o cumprimento dos mandados, foram apreendidas carteiras de criptomoedas, dinheiro em espécie, joias e relógios. Parte dos valores desviados pelo grupo era convertida em bens de luxo e criptoativos para dificultar o rastreamento. Os investigados poderão responder por organização criminosa, estelionato qualificado, lavagem de dinheiro, gestão fraudulenta, corrupção ativa e passiva e crimes contra o sistema financeiro nacional.
Em nota, a defesa de Rafael Góis afirmou que apenas o celular do CEO foi apreendido. “Tão logo sua defesa tenha acesso ao conteúdo da investigação, serão prestados os esclarecimentos necessários às autoridades competentes, com o objetivo de elucidar os fatos”, informa o texto. A defesa de Luiz Phillippe Rubini, por sua vez, disse “que não teve conhecimento prévio do processo e se manifestará oportunamente”.
O Bastidor busca a defesa de Thiago Brando de Azevedo.

