O deputado Fernando Coelho Filho, do União Brasil de Pernambuco, e seu pai, o ex-senador Fernando Bezerra Coelho, foram alvos da Polícia Federal nesta quarta-feira (23) na operação Vassalos, que investiga desvio de emendas parlamentares e o pagamento de propinas por meio de contratos da Codevasf (Companhia de Desenvolvimento dos Vales do São Francisco e do Parnaíba) e do Dnocs (Departamento Nacional de Obras Contra as Secas).

Foram cumpridos 42 mandados de busca e apreensão em São Paulo, Bahia, Pernambuco e no Distrito Federal, todos autorizados pelo ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal. A principal empresa investigada é a Liga Engenharia, ligada à família de Fernando Bezerra, que venceu diversas licitações da prefeitura de Petrolina.

Fernando Bezerra Coelho foi ministro da Integração Nacional durante o governo Dilma Rousseff e líder do governo Jair Bolsonaro no Senado. Deixou o governo de forma turbulenta em 2022, mas apoiou a reeleição de Bolsonaro para manter cargos. Em 2023, o Bastidor mostrou que, apesar disso, ele conseguiu no governo Lula indicar um diretor da Codevasf. Emplacou também seu ex-assessor Aurivalter Cordeiro da Silva na chefia da estatal em Petrolina – justamente onde ocorreram as licitações suspeitas a partir de suas emendas. Cordeiro também foi alvo da operação.

Segundo fontes a par das investigações, o grupo direcionava as licitações da Codevasf, a maioria bancada por emendas parlamentares do orçamento secreto, para a Liga Engenharia. Parte dos valores eram usados para pagar propina a servidores de prefeituras que participavam do esquema.

Não são inéditas as suspeitas de corrupção envolvendo dinheiro público, empreiteiras, o senador Fernando Bezerra Coelho e o deputado Fernando Bezerra Coelho. Em 2021, a subprocuradora Lindôra Araújo, então alinhada ao governo Bolsonaro, arquivou investigação sobre o senador, que era líder do governo Bolsonaro no Congresso, e o filho deputado.

O Bastidor mostrou na ocasião que Lindôra ignorou o indiciamento de pai e filho por corrupção e lavagem de dinheiro feito pela Polícia Federal. Os dois eram suspeitos dos crimes de corrupção, lavagem de dinheiro, associação criminosa, falsidade ideológica e omissão de prestação de contas.

O inquérito policial tinha indícios de que os dois haviam recebido 10,4 milhões de reais em propina das empresas OAS, Barbosa Mello, S/A Paulista e Constremac em troca de contratos de obras públicas, durante a gestão do senador como ministro da Integração Nacional no governo Dilma.