As defesas dos cincos acusados de mandar matar a vereadora Marielle Franco e o motorista Anderson Gomes tentaram desqualificar a acusação feita pela Procuradoria-Geral da República, com base na delação premiada do ex-policial Ronnie Lessa. O julgamento na Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal (STF) começou nesta terça-feira (24).

O primeiro réu a ser defendido foi o delegado Rivaldo Barbosa, que chefiava a Polícia Civil do Rio de Janeiro à época do crime. Ele é acusado de ter orientado a logística do crime e de ter usado o cargo para atrapalhar as investigações para evitar a punição dos mandantes.

A defesa argumentou que a denúncia da Procuradoria-Geral da República era fraca, pois não mostrava sequer qual seria a motivação do delegado no caso. Os advogados Marcelo Ferreira de Souza e Felipe Dalleprane mostraram uma série de slides, com vários erros de português, intercalando com vídeos de depoimentos das testemunhas.

Ao defender o ex-deputado Chiquinho Brazão, o advogado Cleber Lopes de Oliveira tentou desqualificar a delação de Ronnie Lessa. Disse que eventuais imputações ao irmão dele, Domingos Brazão, não podem ser imediatamente impostas a Chiquinho.

Os defensores de Domingos Brazão, Roberto Brzezinski e Márcio Martagão, afirmaram não haver provas contra o conselheiro do Tribunal de Contas do Rio de Janeiro. Como argumento para inocentar seu cliente, Martagão disse que ele não foi indiciado na CPI das Milícias, que ocorreu na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiroem 2008, 10 anos antes dos assassinatos de Marielle e Anderson.

A defesa de Ronald Pereira, ex-policial militar acusado de monitorar Marielle e repassar informações a Ronnie Lessa, disse que os dois eram inimigos declarados – portanto, não faria sentido trabalharem juntos.

Ele reconheceu que o cliente, acusado também de chefiar uma milícia no Rio de Janeiro, tem um passado criminoso, pelo qual já foi condenado. Mas garantiu que não houve qualquer participação de Ronald nas mortes de Marielle e Anderson.

O advogado Gabriel Habib, que representa Robson Calixto Fonseca, ex-assessor de Domingos Brazão no TCE-RJ, disse que a PGR não apresentou nenhuma prova contra seu cliente. Segundo a denúncia, Robson atuava diretamente na milícia comandada pelos Brazão, praticando extorsão e exploração de sinal pirata de TV por assinatura na região.

O julgamento continuará na quarta-feira (25), com a leitura do voto do relator, ministro Alexandre de Moraes. Depois dele votarão os ministros Cristiano Zanin, Cármen Lúcia e Flávio Dino.