A perícia que analisa o pedido de recuperação judicial da Fictor concluiu que faltam informações essenciais para apurar a real situação financeira do grupo. Nomeada pela Justiça de São Paulo, a Laspro Consultores exigiu documentos complementares para concluir a auditoria. Até lá, o pedido segue sem decisão.

Conhecida pela tentativa frustrada de comprar o Banco Master, a Fictor entrou com o pedido de recuperação no início do mês. O  juiz Adler Batista Oliveira Nobre, da 3ª Vara de Falências e Recuperações Judiciais do Foro Central, do Tribunal de Justiça de São Paulo. concedeu uma trégua ao grupo ao suspender as cobranças por 30 dias. Na mesma decisão, no entanto, determinou a realização de perícia para avaliar a real situação do grupo e decidir se concorda ou não com o pedido de recuperação.

A Laspro elaborou um relatório de 52 páginas, com uma descrição da situação da empresa e relatórios de diligências. Ao final, pediu 17 documentos adicionais, como demonstrativos contábeis mais detalhados, projeções de caixa e explicações sobre o destino de bilhões captados por estruturas de investimento, especialmente após uma corrida de resgates que pressionou o caixa da companhia.

A perícia também solicitou a relação atualizada de credores, a abertura de todas as contas do balanço e o organograma completo do grupo. Sem esses dados, afirma, não é possível dimensionar a crise nem decidir sobre o prosseguimento da recuperação.

Em 4 de fevereiro, a equipe foi à sede da Fictor Holding, em São Paulo, e encontrou o local sem atividade operacional, com apenas a área de TI trabalhando. Os peritos foram informados que a sede havia mudado de endereço.

Como mostrou Bastidor, antes do pedido de recuperação a Fictor já havia comunicado à administradora do prédio que deixaria os dois andares que ocupava. No novo endereço, em uma região menos nobre, a perícia encontrou alguma atividade. O braço financeiro informou ter 60 funcionários, ante cerca de 200 antes do pedido.

A Laspro também visitou unidades operacionais em São Paulo, Goiás, Amazonas, Rio de Janeiro e Minas Gerais. Em alguns locais, encontrou operações em funcionamento. Em outros, porém, não havia sinais de atividade. Além disso, as visitas foram limitadas porque a equipe não foi autorizada a entrar em algumas empresas.

Em Presidente Epitácio (SP), uma usina fotovoltaica estava em operação, com monitoramento remoto. Em Sorocaba (SP), uma fabricante de ração para pets foi descrita como operando normalmente.

Em Minas Gerais, o laudo registrou atividade em uma unidade de alimentos em Maravilhas, com produção em curso e presença de funcionários. Também apontou movimentação em uma unidade em Betim, com equipamentos em uso.

O quadro foi diferente em Goiás. Em Rio Verde, a unidade de comércio de grãos foi encontrada sem pessoas, sem estoque e sem indícios de operação. No local, a informação era de que a atividade havia sido encerrada há cerca de um ano. Em Cocalzinho, uma empresa não foi localizada no endereço informado.

No Amazonas, outra unidade não apresentou sinais de funcionamento. No Rio de Janeiro, a perícia confirmou a operação de um galpão, mas não conseguiu verificar outras empresas por restrições de acesso.