A semana que antecedeu o pedido de recuperação judicial da Fictor foi de tensão e correria na sede do grupo, em São Paulo. A empresa acumulou sinais claros de agravamento da crise, com demissões em série, uma reunião com o Palmeiras para discutir o patrocínio e o aviso de que o contrato de aluguel do prédio onde fica a empresa não seria renovado.
O aumento no número de protestos em cartório – registro formal de dívidas não pagas – foi o termômetro da deterioração financeira. Segundo uma pessoa ligada à empresa, diretores foram informados, na semana passada, de que havia mais de 60 protestos. Nesta segunda-feira (2), o Bastidor identificou 94 registros contra a Fictor.
Com a possibilidade de recuperação judicial sendo discutida internamente, a debandada começou pelo alto escalão. Como mostrou o Bastidor, um diretor pediu demissão na quinta-feira (29). No dia seguinte, outros executivos da Fictor Holding foram desligados, assim como a maior parte da equipe do braço financeiro. Segundo um ex-executivo, a estratégia foi preservar postos nas subsidiárias operacionais, como os frigoríficos em Minas, enquanto o escritório da Berrini foi praticamente esvaziado.
Na quarta-feira (28), o CEO Rafael Góis e a diretora de Marketing e Comunicação, Andrea Niccoli, foram à sede do Palmeiras para discutir o distrato do patrocínio na camisa do time. O acordo firmado em março de 2025 tem duração de três anos, com possibilidade de prorrogação por mais um, e prevê pagamento de 30 milhões de reais por temporada.
Procurada, a Fictor afirmou, por meio de sua assessoria, que não vai se manifestar. O Palmeiras disse que tomou ciência do pedido de recuperação judicial na manhã desta segunda, pela imprensa. “O caso está sob análise do Departamento Jurídico do clube para que sejam adotadas as medidas pertinentes”, afirmou em nota.
O pedido de RJ
Conhecido pela proposta de compra do Banco Master, o grupo Fictor protocolou no domingo (1º) pedido de recuperação judicial na Justiça de São Paulo. A solicitação abrange a Fictor Holding e a Fictor Invest e exclui as subsidiárias operacionais. Segundo a petição, a dívida supera 4,2 bilhões de reais.
Em comunicado divulgado nesta segunda, o grupo afirma que “a medida busca criar um ambiente de negociação estruturada e com tratamento isonômico, que possa garantir a continuidade das atividades de forma sustentável”.

