O youtuber e podcaster Glauber Mendonça, dono do canal “Fala, Glauber”, manteve suas transmissões ao vivo mesmo após a abertura de um procedimento disciplinar administrativo na Agência Brasileira de Inteligência para examinar sua atuação. Ele é investigado pela Corregedoria do órgão por se manter afastado das funções de oficial técnico de inteligência por quase um ano sem as devidas justificativas.
Em agosto, o Bastidor mostrou que a direção da Abin preparava uma portaria interna para regular publicações em redes sociais, tanto da instituição, como de seus agentes e funcionários. O caso de Glauber era um dos principais motivos para a norma. Seu canal tem cerca de 3 milhões de inscritos. Na semana passada, o G1 revelou a abertura do procedimento. Devido à sua atuação, agentes da Abin não podem ter seus nomes revelados.
Na terça-feira (3), mesmo dia da revelação do procedimento disciplinar, Glauber entrevistou em seu canal o ex-governador do Rio Anthony Garotinho, que fez menções a uma suspeita de favorecimento do diretor-geral da Abin, Luiz Fernando Corrêa, pela venda de equipamentos de inteligência em 2009. Ele ainda cita que o senador Espiridião Amin, do PP de Santa Catarina.
Glauber e Garotinho comentaram sobre a empresa Digitro, que criou o software Guardião, usado para obter escutas telefônicas. Em 2009, a PF firmou uma parceira com a empresa que pertencia a Geraldo Faraco, amigo de Corrêa, também um dos criadores do programa, segundo informações da Folha de S. Paulo na ocasião.
Os comentários durante o podcast foram avaliados por integrantes da cúpula da Abin ouvidos pelo Bastidor como um revide de Glauber à abertura do procedimento. A Corregedoria abriu o procedimento porque Glauber apresentou uma licença médica para não trabalhar na Abin por quase um ano, mas manteve a atividade de youtuber durante o período do afastamento. Seu cargo não exige exclusividade de atuação na agência: ele pode desempenhar outras funções, mas desde que não haja conflito de interesse.
A atuação do agente é defendida por alguns servidores, que avaliam se tratar de uma perseguição da Corregedoria da agência. A Intelis, entidade que representa os servidores da Abin, repudiou a violação de sigilo do nome de agentes da Abin e afirmou que acionou em setembro de 2024 a CGU para providências sobre vazamentos de dados da corregedoria da agência.

